Manaus: 65% das famílias gastarão mais de R$ 600 em material escolar em 2026
Material escolar em Manaus: gastos superam R$ 600 em 2026

As famílias de Manaus se preparam para um início de ano letivo com orçamento ainda mais apertado em 2026. Uma pesquisa encomendada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fecomércio) revela que a grande maioria dos pais e responsáveis na capital amazonense pretende gastar mais de R$ 600 com a lista de material escolar.

Preços em alta e famílias numerosas pressionam o bolso

O levantamento, realizado nos dias 3 e 4 de dezembro de 2025 com 1.049 moradores adultos da área urbana de Manaus, aponta um cenário desafiador. 65% das famílias entrevistadas declararam que seus gastos com material escolar devem ultrapassar a marca de R$ 600. Desse total, um grupo significativo de 41% planeja desembolsar valores entre R$ 601 e R$ 700, enquanto 24% preveem que a despesa será superior a R$ 700.

Esse aumento expressivo é atribuído a uma combinação de fatores. Os reajustes nos preços de matérias-primas fundamentais, como papel e tinta, a variação do dólar que impacta parte dos produtos e os ajustes gerais no setor de papelaria são as causas principais apontadas pela pesquisa.

Outro dado crucial que explica a alta nos gastos é o perfil familiar em Manaus. 65% das famílias têm dois ou mais filhos em idade escolar. A distribuição mostra que 48% possuem dois filhos, 13% têm três e 4% contam com quatro ou mais crianças. Naturalmente, a necessidade de comprar itens para mais de um estudante multiplica a despesa final.

Rede pública concentra alunos, mas despesa preocupa

A pesquisa também traçou um panorama sobre onde estudam os filhos dos entrevistados. A rede pública de ensino concentra a maioria, com 62% das matrículas. Enquanto isso, 30% dos estudantes frequentam instituições privadas.

Embora estejam livres do custo das mensalidades, as famílias com filhos na escola pública ressaltam que a compra de material escolar e uniforme continua representando uma despesa relevante e pesada no orçamento doméstico. Já para os 30% que optaram pelo ensino privado, o custo do material se soma ao valor da mensalidade escolar, criando uma pressão financeira ainda mais intensa no começo do ano.

Estratégias de compra e formas de pagamento

O estudo da Fecomércio ainda investigou os hábitos de consumo das famílias manauaras. A janela de compras é bastante concentrada: 65% dos consumidores pretendem adquirir o material em janeiro, sendo 39% no início do mês e 26% ao longo de suas semanas. A antecipação para dezembro é a estratégia de 14%, enquanto 16% deixam para comprar apenas no início das aulas, período tradicionalmente marcado por preços mais altos e estoques reduzidos.

Quando o assunto é a forma de realizar as compras, a praticidade reina. 70% das famílias preferem resolver tudo de uma única vez, seja em uma ida à loja física ou em um pedido online. Apenas 23% optam por comprar aos poucos, e 7% deixam itens para adquirir posteriormente. A estratégia da compra única é vista como uma forma de economizar tempo e, potencialmente, aproveitar descontos por volume.

Na hora de pagar, o cartão de crédito é o meio preferido de 52% das famílias, que buscam parcelar a despesa. Por outro lado, 46% dos entrevistados afirmam que preferem pagar à vista, utilizando PIX, dinheiro ou cartão de débito. O objetivo desse grupo é claro: buscar descontos oferecidos no pagamento à vista e, principalmente, evitar contrair dívidas no crédito rotativo.

Diante de um orçamento tão pressionado, não é surpresa que o preço seja o principal critério de escolha na hora da compra para a esmagadora maioria. Promoções e ofertas específicas são os fatores que, em última instância, definem em qual estabelecimento as famílias vão adquirir os itens da lista escolar.