Desemprego no Brasil mantém estabilidade em 5,4% no trimestre até janeiro de 2026
Desemprego mantém estabilidade em 5,4% no trimestre até janeiro

Desemprego no Brasil mantém estabilidade em 5,4% no trimestre até janeiro de 2026

A taxa de desemprego do Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, mantendo o mesmo patamar registrado nos três meses anteriores, que terminaram em outubro. Este é o menor índice da série histórica comparável, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Dados da Pnad-Contínua apontam estabilidade no mercado de trabalho

Os números fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-Contínua), que abrange tanto o mercado formal quanto o informal. A mediana das projeções do mercado financeiro, segundo a agência Bloomberg, também era de 5,4%. Até esta divulgação, a menor taxa registrada em todos os trimestres havia sido de 5,1%, nos três meses encerrados em dezembro de 2025.

Adriana Beriguy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, afirmou que os resultados do trimestre indicam estabilidade dos indicadores de ocupação. Ela explicou que, embora janeiro costume apresentar uma tendência de redução no contingente de trabalhadores – muitas vezes devido à dispensa de temporários –, os dados favoráveis de novembro e dezembro reduziram o impacto desse movimento sazonal.

Queda significativa no número de desocupados

No trimestre até janeiro, o instituto encontrou 5,9 milhões de pessoas de 14 anos ou mais em busca de trabalho. Em relação ao mesmo período do ano anterior, quando eram 7,1 milhões, houve uma queda expressiva de 17,1%. Na série da Pnad, iniciada em 2012, o maior contingente de desocupados foi registrado no trimestre até março de 2021, durante a pandemia de Covid-19, quando o indicador chegou a quase 15 milhões.

Aumento na população ocupada e renda média recorde

O número de ocupados com algum trabalho alcançou quase 102,7 milhões, representando um aumento de 1,7% (1,7 milhão a mais de pessoas) em relação ao ano anterior. O nível de ocupação ficou em 58,7%, com estabilidade no trimestre (58,8%) e crescimento de 0,5 ponto percentual no ano (58,2%).

A taxa de informalidade foi de 37,5%, ante 37,8% no trimestre encerrado em outubro e 38,4% um ano antes. Beriguy destacou que a informalidade está em queda desde 2022, com aceleração dessa trajetória a partir de 2023. "No atual trimestre, a retração da taxa esteve associada à tendência de queda do emprego sem carteira no setor privado e à expansão da cobertura de registro no CNPJ dos trabalhadores por conta própria", afirmou.

No trimestre até janeiro, o rendimento médio do trabalho alcançou R$ 3.652 por mês, com aumento de 2,8% no trimestre e 5,4% no ano. Este é o maior valor da série em termos reais, considerando o ajuste pela inflação. A massa de rendimento real ficou em R$ 370,3 bilhões, com alta de 2,9% no trimestre e 7,3% no ano.

Entendendo os indicadores de desemprego

O IBGE define desemprego como referente às pessoas de 14 anos ou mais que não estão trabalhando, mas estão disponíveis e tentam encontrar trabalho. Para ser considerado desempregado, não basta não possuir um emprego; é necessário que a pessoa esteja ativamente em busca de oportunidades.

A Pnad Contínua é o principal instrumento para monitorar a força de trabalho do país, com uma amostra de 211 mil domicílios visitados a cada trimestre em todos os estados e no Distrito Federal, envolvendo cerca de 2.000 entrevistadores.

A taxa de desemprego é calculada como o percentual da força de trabalho formado pelas pessoas desempregadas, sendo a força de trabalho composta por desempregados e ocupados. Os ocupados incluem tanto trabalhadores formais quanto informais.

Economistas atribuem o desemprego baixo principalmente a um mercado de trabalho aquecido, com contratações nos setores privado e público, além de mudanças demográficas e tecnológicas. Embora um cenário de baixo desemprego seja positivo para os trabalhadores, ele pode pressionar a inflação devido ao aumento do consumo, o que levou o Banco Central a elevar a taxa básica de juros para 15% ao ano com o objetivo de esfriar a demanda.