A propriedade da família de Sabrina Sato, localizada na zona rural de Piraju, interior de São Paulo, a cerca de 330 quilômetros da capital, produz café de forma sustentável. A fazenda Nossa Terra, como é chamada, existe há aproximadamente seis anos e, em abril, passou a integrar o Nescafé Plan, programa da Nestlé voltado à sustentabilidade na cafeicultura.
Paixão pelo café e superação
Nascida e criada em Penápolis, também no interior paulista, Sabrina conta que a escolha por Piraju se deu pela beleza da região, às margens da Represa de Jurumirim. “Pesquisamos muitas fazendas e visitamos alguns lugares, mas quando encontramos a Nossa Terra, ela e a região tinham tudo o que estávamos procurando. A região é muito linda, preservada, com muita natureza ao redor e com acesso fácil. A gente se apaixonou logo de cara”, diz a apresentadora.
Karina Sato, irmã de Sabrina, revela que a paixão pelo café começou com o pai, Omar, grande consumidor da bebida. A produção tornou-se uma “válvula de escape” para ele, que foi diagnosticado com câncer no pâncreas em agosto de 2025. “Meu pai tinha descoberto um câncer e estava super debilitado. Aquilo [o café] deu uma vontade a ele de se curar. Ele sempre foi muito preocupado em não usar agrotóxicos e em fazer o produto vir o mais puro possível para a xícara. Por isso, decidimos fazer o nosso próprio café”, conta Karina.
Produção sustentável e agricultura regenerativa
Ao todo, são 50 hectares de pés de café cultivados na fazenda. O tipo produzido é o conilon, muito utilizado pela facilidade de mistura com água quente. No local, adota-se a agricultura regenerativa, que busca devolver ao meio ambiente mais do que é retirado, especialmente na água, biodiversidade e solo.
Gabriela Monsanto, gerente de marketing da Nestlé, detalha que o relacionamento com a sustentabilidade começou com uma ligação da própria família à fabricante. “O plano já atende mais de 3,8 mil cultivadores de café ao longo dos anos e é uma lista ativa, atendendo cada um de forma personalizada. É uma forma de traduzirmos como a qualidade, o sabor e a sustentabilidade fazem parte da marca”, comenta.
Além do café, a fazenda cultiva frutas como banana, maracujá doce, mamão, quiabo, acerola e limão, em menor escala. Segundo Karina, essas culturas adjacentes protegem o café e eliminam a necessidade de fertilizantes. “Proteger o solo e diversificar o cultivo é extremamente importante para o café. Isso deixa ele mais nutritivo e depende menos dos fertilizantes. A banana, por exemplo, protege do vento, enquanto o maracujá doce está no meio do café. É tudo muito pensado”, esclarece.
Certificação e parceria
Apesar da variedade de produtos, apenas o café é comercializado. A parceria com a Nestlé é focada em sustentabilidade, sem acordo comercial, pois o processo de homologação ainda não foi concluído. Rodolfo Clímaco, gerente de agricultura para cafés da Nestlé, explica que a certificação é terceirizada e a parceria serve de apoio. “No caso específico da fazenda da Sabrina, nós temos uma trader que possui uma certificação independente própria. Esse programa é a linha de base que conecta com os critérios de responsabilidade que possui três pilares: econômico, social e ambiental”, compartilha.
Rodolfo destaca que a redução da pegada de carbono é acelerada com a agricultura regenerativa. “É um processo de longo prazo, porque é necessário mapear toda a fazenda, entender qual é o potencial produtivo e, daí, a certificação. Depois, passamos pelo processo de entender e melhorar as condições do solo, saber quais são as condições físico-químicas, e aí trabalhar. É necessário ter um equilíbrio nutricional”, detalha.
Colheita e tecnologia
Airam Quiqui, cafeicultor que auxilia a família Sato, explica que a colheita é semimecanizada, ocorrendo uma vez ao ano, cerca de sete meses após a floração. “A fazenda é plana, então é possível fazer a colheita com máquinas. Geralmente, 15 a 20% do café se perde no chão, mas dá para fazer a varredura, seja com máquina ou manualmente. Nas regiões montanhosas, o processo é totalmente braçal”, pontua.
Para este ano, o preço mínimo do conilon foi estimado em R$ 556,97 para a saca de 60 quilos, segundo o Governo Federal. Airam, engenheiro e integrante da terceira geração de cafeicultores, desenvolveu um aplicativo para gerenciar a propriedade, voltado para pequenos produtores. “Tenho tentado trazer a parte de tecnologia para a fazenda. O aplicativo ajuda a monitorar diferentes âmbitos da plantação, como a nutrição, a melhora dos nutrientes e a implementação dos agentes biológicos”, descreve.
Significado familiar
Sabrina Sato conta que a fazenda já produzia café antes de ser comprada pela família. O local foi escolhido não só pela beleza, mas como forma de unir a família. “Essa fazenda já plantava café e tinha uma produção acontecendo. Mas ela entrou na nossa vida porque sentimos a necessidade da nossa família estar perto. Somos muito apegados e aquele período mexeu muito com a gente”, diz.
“Nós procuramos um lugar onde pudesse ficar todo mundo junto, com mais segurança. Quando encontramos a fazenda, foi um sentimento muito especial, porque ela já tinha essa história com o café e uma energia acolhedora”, lembra.
No programa de sustentabilidade, Sabrina aparece como aprendiz. Ela afirma que a família trabalha ativamente na colheita e que o café representa uma história longa. “Quando falamos de café sustentável, é sobre todo o cuidado que existe em volta dele. Na produção, pensamos no impacto ambiental, nas pessoas envolvidas e no futuro daquela produção. Aprendi isso muito de perto. Minha família teve uma aula de sustentabilidade e eles continuam operando na fazenda. É uma história muito longa que vamos contar”, finaliza.



