Mercado financeiro eleva projeção de inflação para 2026 e prevê estouro da meta em 2025
Analistas do mercado financeiro elevaram mais uma vez sua estimativa para a inflação em 2026 e passaram a projetar o estouro da meta para este ano. Esta é a quinta semana consecutiva de aumento nas projeções, indicando uma crescente preocupação com a pressão sobre os preços no Brasil.
Expectativas do Boletim Focus
De acordo com a pesquisa do Banco Central, divulgada nesta segunda-feira (13) através do Boletim Focus, o mercado passou a projetar que a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), atingirá 4,71% em 2025. A projeção anterior era de 4,36%. O levantamento é baseado em dados coletados na última semana com mais de 100 instituições financeiras.
Impacto da guerra no Oriente Médio: A explicação para esse aumento está na guerra no Oriente Médio, que fez disparar o preço do petróleo. Nesta segunda-feira, o barril operava acima de US$ 100, o que tem potencial para pressionar a inflação brasileira através do aumento dos combustíveis.
Inflação em alta e meta contínua
A inflação de março, divulgada na semana passada pelo IBGE, já mostra o impacto da guerra nos preços internos. Com alta de 0,88% no mês passado, o índice acelerou e ficou acima das projeções do mercado financeiro.
Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%. A projeção atual de 4,71% para este ano supera o teto do sistema de metas, que é de 4,5%. Esta é a primeira vez, desde maio do ano passado, que o mercado estima o estouro da meta de inflação em 2026.
Expectativas para os próximos anos
Se confirmada a projeção, o IPCA ficará abaixo do registrado no último ano, quando somou 4,26%. As expectativas para os anos seguintes também foram ajustadas:
- Para 2027, a expectativa subiu de 3,85% para 3,91%.
- Para 2028, a previsão permaneceu em 3,60%.
- Para 2029, a estimativa continuou em 3,50%.
Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população, especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento.
Corte dos juros e atividade econômica
Mesmo com o aumento da projeção de inflação neste ano e nos próximos, o mercado financeiro continuou projetando queda dos juros. Atualmente, a taxa Selic está em 14,75% ao ano, após o primeiro corte em quase dois anos, autorizado na semana passada pelo Banco Central.
Para o fim de 2026, a estimativa do mercado para a taxa Selic permaneceu em 12,50% ao ano, embutindo uma redução no decorrer do ano. Para o fechamento de 2027, a projeção foi mantida em 10,50% ao ano, e para o fim de 2028, a estimativa continuou em 10% ao ano.
Quanto à atividade econômica, para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado permaneceu em 1,85%. O resultado oficial do PIB do ano passado foi uma expansão de 2,3%, conforme divulgação do IBGE. Para 2027, a projeção de crescimento do PIB foi mantida em 1,8%.
Taxa de câmbio
O mercado financeiro baixou sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim deste ano, de R$ 5,40 para R$ 5,37 por dólar. Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos caiu de R$ 5,45 para R$ 5,40.



