Gasolina a R$ 7,59 em Presidente Figueiredo pressiona transporte fluvial no Amazonas
Gasolina a R$ 7,59 no AM pressiona transporte fluvial

Gasolina a R$ 7,59 em Presidente Figueiredo pressiona transporte fluvial no Amazonas

O aumento no preço dos combustíveis já está pressionando o transporte fluvial no Amazonas e deve resultar em reajuste nas passagens nos próximos dias. Operadores que realizam a travessia de passageiros, como no trajeto entre Manaus e Careiro, afirmam que aguardam autorização para repassar os custos aos usuários.

Impacto imediato no Porto da Ceasa

No Porto da Ceasa, na Zona Leste de Manaus, ponto estratégico para a logística de insumos, veículos e passageiros, o impacto já é sentido de forma significativa. O local concentra embarcações que fazem a travessia para o Careiro, além do transporte por balsa e rotas que se conectam à BR-319.

Segundo trabalhadores do setor, o aumento do diesel, que subiu R$ 0,61 entre janeiro e março, passando de R$ 7,18 para R$ 7,79, elevou consideravelmente o custo das viagens. Carlos André, que atua há 15 anos no transporte hidroviário, afirma que a situação ficou insustentável.

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"O impacto é imenso. A gente não tem autonomia para reajustar, depende da autorização da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq)", disse. De acordo com ele, uma viagem de ida e volta pode custar entre R$ 400 e R$ 450 apenas com combustível.

Mesmo assim, os valores ainda não foram repassados aos passageiros. "Está pesando no nosso bolso. Estamos segurando para não prejudicar o passageiro, mas já entramos com a documentação e aguardamos o aval para aumento", explicou Carlos André.

Efeito em cadeia nos preços e serviços

O aumento dos combustíveis também afeta outros setores da economia local. Em postos de gasolina, motoristas reclamam da alta frequente nos valores. Segundo o frentista Antônio, as queixas se tornaram comuns nos últimos dias.

Quem depende do veículo para trabalhar também sente o impacto diretamente. O motorista de turismo Charles afirma que o aumento reduziu drasticamente o lucro. "A gente precisa subir o preço, mas o cliente não aceita. O lucro vai lá para baixo", disse.

Um taxista, que preferiu não se identificar, relatou que o gasto diário com combustível subiu de cerca de R$ 150 para R$ 200, representando um aumento significativo nas despesas operacionais.

Interior do Amazonas enfrenta cenário crítico

No interior do Amazonas, onde o transporte é mais dependente de longas distâncias e rotas fluviais, o cenário é ainda mais crítico. Em alguns municípios, o litro da gasolina já se aproxima de R$ 9,00.

O economista Mourão Júnior explica que a realidade da região encarece ainda mais o combustível. "Dependendo da distância, para levar um litro de diesel você acaba gastando até dois litros. Isso, somado a fatores externos e falta de investimento, aumenta o preço, impacta a inflação e o custo de vida", afirmou.

Na capital Manaus, o preço da gasolina também subiu consideravelmente. O litro passou de R$ 7,29 para R$ 7,59 no domingo (22). No início de março, o valor era de R$ 6,99, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Explicações da refinaria e fatores internacionais

Em nota, a Refinaria da Amazônia (REAM) informou que não é a única responsável pelo abastecimento e pela formação de preços no estado, respondendo por cerca de 30% do volume comercializado no Amazonas.

A empresa atribui a alta aos fatores internacionais, como:

  • A escalada de conflitos no Oriente Médio
  • A redução da oferta global de petróleo
  • A valorização do petróleo no mercado internacional

Segundo a refinaria, desde o fim de fevereiro, os preços internacionais da gasolina e do diesel subiram 36% e 65%, respectivamente. A REAM também destacou que parte dos insumos utilizados na produção precisa ser importada e é cotada em dólar, o que pressiona ainda mais os custos finais.

Risco de paralisação e alertas do setor

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sifretam) alerta para o risco de desabastecimento e possível paralisação de serviços. Segundo a entidade, o aumento considerado abusivo pode:

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  1. Comprometer o transporte de passageiros
  2. Afetar o deslocamento de trabalhadores do Polo Industrial de Manaus
  3. Gerar impactos em toda a economia do estado

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que monitora a situação e mantém diálogo com empresas para avaliar possíveis efeitos no setor aéreo regional.

Diante deste cenário preocupante, representantes do setor de transportes cobram medidas emergenciais para garantir o abastecimento regular e evitar novos prejuízos à população amazonense, que já enfrenta os desafios logísticos característicos da região.