Dia das Mães: oficialização no Brasil em 1932 e origem nos EUA
Dia das Mães: oficialização em 1932 e origem nos EUA

O segundo domingo de maio é dedicado às mães no Brasil, conforme o decreto de número 21.366, assinado pelo então presidente Getúlio Vargas em 5 de maio de 1932. O documento destaca que a data visa celebrar os sentimentos e virtudes do amor materno, contribuindo para a bondade e solidariedade humana. Três considerações justificam a lei: a existência de outros dias oficiais para sentimentos humanos; a importância da ternura, respeito e veneração ao amor materno; e o dever do Estado de reconhecer e apoiar manifestações da consciência coletiva.

Origem americana

O modelo brasileiro copiou o dos Estados Unidos, segundo pesquisadores. Embora haja registros de celebrações na Grécia Antiga, o Dia das Mães contemporâneo foi criado nos EUA no fim do século XIX, conforme o psicólogo social Sérgio Silva Dantas, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. A idealizadora foi a norte-americana Anna Maria Jarvis (1864-1948), que, após perder a mãe em 1905, militou por uma data em homenagem ao sentimento materno. A mãe de Anna, também chamada Anna, era reconhecida como uma grande mãezona na Virgínia Ocidental, participante da Igreja Metodista e desenvolvia trabalhos sociais. Sua morte gerou comoção, e a celebração criada pela filha ganhou grande repercussão, levando o presidente Woodrow Wilson a oficializar o segundo domingo de maio como Dia das Mães nos EUA.

Consolidação no Brasil

No Brasil, a data foi oficializada em 1932, mas sua consolidação ocorreu durante o regime militar (1964-1985), quando houve valorização da família e das mães, segundo a historiadora Mary Del Priore. Antes disso, já existiam comemorações ligadas a igrejas cristãs, especialmente em maio, mês de Maria. Em 12 de maio de 1918, ocorreu uma celebração no Rio Grande do Sul por iniciativa da Associação Cristã de Moços. A Igreja Católica incorporou a tradição em 1947, por iniciativa do cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Jaime de Barros Câmara. A oficialização por Vargas atendeu a apelos populares e ocorreu em um momento de valorização da mulher como cidadã, com a conquista do direito ao voto.

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Apelo comercial

O Dia das Mães logo ganhou cunho comercial. É a segunda data mais importante do comércio brasileiro, atrás apenas do Natal, superando Dia dos Namorados, dos Pais e das Crianças, segundo Dantas. Nos últimos anos, a Black Friday tem disputado o segundo lugar, mas o Dia das Mães ainda é a data mais relevante do primeiro semestre, especialmente para artigos de uso pessoal e eletrodomésticos, conforme Marcel Solimeo, superintendente da Associação Comercial de São Paulo. A data apoia-se no apelo emocional e na importância da figura materna na cultura brasileira.

Comemorações pelo mundo

Na antiguidade, a valorização da maternidade ocorria no início da primavera, como na Grécia Antiga em honra a Reia. Atualmente, o segundo domingo de maio é adotado por países como África do Sul, Chile, China, Dinamarca, Austrália, Itália, Japão, Cuba, Venezuela, Finlândia e Bélgica. Portugal celebra no primeiro domingo de maio, assim como Angola, Moçambique, Espanha, Cabo Verde, Hungria e Lituânia. Noruegueses dedicam o segundo domingo de fevereiro; franceses e suecos, o último domingo de maio; argentinos e bielorrussos, o terceiro domingo de outubro. Na Palestina e no Líbano, a data coincide com o primeiro dia da primavera. Países com datas fixas incluem Bolívia (27 de maio), Rússia, Sérvia, Montenegro, Romênia e Bulgária (8 de março), Eslovênia (25 de março), Egito, Síria e alguns árabes (21 de março), Bélgica e Costa Rica (15 de agosto). Na antiga Iugoslávia, a comemoração ocorria duas semanas antes do Natal.

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