Dólar recupera terreno após revelações sobre ministro Toffoli e esquema do Banco Master
O mercado financeiro brasileiro viveu um dia de volatilidade nesta quinta-feira, com o dólar apresentando movimentos contrastantes diante de notícias nacionais e internacionais. Após abrir o dia cotado a R$ 5,1832, a moeda norte-americana chegou a ser negociada a R$ 5,17 por volta do meio-dia, registrando uma queda de 0,25%. Esta era a menor cotação desde o período do Carnaval de 2024.
Virada no mercado com escândalo envolvendo ministro do STF
Contudo, o cenário se inverteu completamente após as revelações sobre os negócios entre a família do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, e o esquema do Banco Master. Por volta das 14h30, o dólar já valia R$ 5,2050, representando uma alta significativa de 0,42% em relação à abertura.
Enquanto isso, no cenário internacional, outras moedas apresentavam desempenhos variados. O euro subia 0,09% e a libra esterlina valorizava 0,21%. Por outro lado, o dólar caía 0,25% contra o iene japonês e 0,45% frente ao franco suíço.
Expectativas sobre inflação nos Estados Unidos
Os olhos do mercado internacional estão voltados para a divulgação dos números da inflação de janeiro nos Estados Unidos, prevista para esta sexta-feira (13). O consenso entre analistas aponta para um aumento moderado de 0,3% nos preços ao consumidor frente a dezembro, o que reduziria a taxa de inflação anual para 2,5%.
Esses dados reforçariam a posição do atual presidente do Federal Reserve Bank, Jerome Powell, de manter os juros americanos inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% até 15 de março. Nesta data, expira seu mandato e assume Kevin Warsh, ex-diretor do Fed indicado por Donald Trump.
No entanto, muitos em Wall Street estão se preparando para uma possível surpresa desagradável. Historicamente, a inflação em janeiro tende a ser relativamente alta. Em 2025, o índice de preços ao consumidor subiu mais em janeiro do que em qualquer outro mês, pelo efeito antecipado das tarifas. Situação similar ocorreu em 2023.
Desaceleração nos serviços brasileiros
No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou queda de 0,4% na receita de serviços em dezembro, abaixo das estimativas do mercado. Esta foi a segunda variação negativa após nove meses seguidos de alta.
Com esse resultado, os serviços acumularam alta de apenas 0,8% no quarto trimestre (após crescimento de 1,0% nos três meses anteriores). No ano, o avanço foi de 2,80%.
Os setores que mais contribuíram para a queda foram transportes (recuo de 3,1%) e outros serviços (queda de 3,4%). Especificamente, o transporte aéreo recuou 5,5%, enquanto armazenagem, serviços auxiliares dos transportes e correio encolheram 4,9%. Por outro lado, os serviços prestados às famílias cresceram 0,4%.
Para o Bradesco, o resultado indica a desaceleração gradual da atividade econômica na segunda metade de 2025, mantendo a expectativa de recuo de 0,1% do PIB no 4º trimestre.
Crise no crédito rural do Banco do Brasil
O Banco do Brasil, tradicionalmente conhecido por seu forte apoio ao crédito rural com baixos índices de inadimplência, enfrenta uma realidade diferente após a implementação da Resolução 4.966 de 2021, que começou a valer em 2025.
A resolução, que vedou a rolagem de dívidas com mais de 90 dias de atraso, causou uma explosão na inadimplência do banco. A inadimplência do custeio agropecuário saltou de 3,06% em dezembro de 2024 para impressionantes 10,05% em dezembro de 2025.
O financiamento de máquinas e equipamento, que representava 13,3% do crédito rural e tinha inadimplência de apenas 0,70% em dezembro de 2024, disparou para 4,91%.
O BB concentra mais de 50% do crédito rural no país, com carteira de R$ 406,1 bilhões em dezembro de 2025. As atividades mais contempladas eram:
- Bovinocultura (21,3%, sendo 15,9% para pecuária de corte e 5,3% para leite)
- Recuperação de pastagens (2,5%)
- Café (2,4% dos créditos)
Impactos financeiros significativos
As perdas do Banco do Brasil com créditos e reclassificações de títulos mobiliários ligados ao agronegócio somaram R$ 65,405 bilhões em 2025, representando um aumento de 57,9% em relação ao ano anterior.
Após a reestruturação de R$ 22,557 bilhões em operações do BB Regulariza Agro (conforme a MP 1.314/25), os índices mais baixos de inadimplência do crédito rural do banco eram nas linhas do Pronaf (agricultura familiar), com 2,45% (ante 1,47% em dezembro de 2024) e no Pronamp (crédito a médios produtores), com 3,61% (frente a 0,95% de 2024).
Os refinanciamentos de R$ 22,557 bilhões (93% em recursos livres) contemplaram 15,3 mil clientes em 16,3 mil operações, sendo que 72,9% do volume destas teve como garantia a Alienação Fiduciária.
Efeitos em cascata na inadimplência
O efeito da Resolução 4.966 foi sentido além do crédito rural. O índice de inadimplência de pessoas físicas (a maior fonte de lucro do BB) saltou de 4,66% em dezembro de 2024 para 6,59% em 2025.
Os créditos para veículos em atraso subiram de 2,24% para 4,09%, enquanto o atraso nos cartões de crédito saltou de 5,75% para 8,64%. Detalhe preocupante: a clientela de funcionários públicos e de estatais do BB tem salário médio alto.
Resultados financeiros mistos
Diante de tantos problemas no crédito, o lucro anual do Banco do Brasil encolheu 45,4% em 2025, totalizando R$ 20,685 bilhões. No entanto, o banco deu um alento com o lucro de R$ 5,742 bilhões no quarto trimestre, representando aumento de 51,7% frente ao terceiro trimestre, indicando que o pior já pode ter passado.
Num dia em que o Ibovespa caía 0,63% às 14h20 (horário de Brasília), abalado pelo alcance dos escândalos do Banco Master no ministro Toffoli, as ações ON do BB subiam expressivos 3,13%.



