Dólar e petróleo sob pressão com tensões geopolíticas e decisão do Banco Central
O dólar abre em alta nesta terça-feira (24) após o aumento das incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h, em um cenário de volatilidade nos mercados globais.
Petróleo em alta e impacto na inflação
O preço do petróleo voltou a subir no mundo nesta terça-feira, em meio a incertezas sobre o avanço das negociações entre EUA e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio. Após fechar em queda de 11,12%, cotado a US$ 99,72 ontem, o barril de petróleo Brent operava em alta de 2,53% por volta das 8h46, a US$ 98,35. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, subia 2,68%, a US$ 90,49.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o Irã quer fechar acordo e pode conversar por telefone. A imprensa citou negociações envolvendo Steve Witkoff, Jared Kushner e Mohammad-Bagher Ghalibaf, mas Ghalibaf negou e chamou as notícias de fake news para influenciar o petróleo.
Banco Central do Brasil reduz Selic e alerta para inflação
O Banco Central do Brasil divulgou nesta manhã a ata do Comitê de Política Monetária, após a reunião que reduziu a Selic de 15% para 14,75% — o primeiro corte em quase dois anos. No documento, a autoridade monetária afirma que a guerra no Oriente Médio pressiona a inflação no país, com a alta do petróleo, e indica que os juros devem seguir em patamar restritivo.
Agenda econômica e dados do mercado
Na agenda econômica, o mercado acompanha os PMIs (índices que medem a atividade das empresas na indústria e serviços) nos EUA, divulgados pela S&P Global, além de dados de emprego, produtividade e custo do trabalho no país.
No Brasil, a Receita Federal divulga às 10h a arrecadação de fevereiro, e os ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento publicam às 17h o relatório bimestral de receitas e despesas.
- Dólar: Acumulado da semana: -1,29%; Acumulado do mês: +2,07%; Acumulado do ano: -4,53%.
- Ibovespa: Acumulado da semana: +3,24%; Acumulado do mês: -3,63%; Acumulado do ano: +12,91%.
Trump anuncia trégua no Irã e mercados reagem
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda que determinou uma pausa de cinco dias em possíveis ataques a instalações de energia do Irã. O anúncio foi feito em publicação na rede Truth Social, na qual ele afirmou que representantes dos dois países tiveram conversas recentes, que classificou como produtivas.
Segundo ele, os contatos ocorreram no fim de semana e trataram da possibilidade de encerrar o conflito no Oriente Médio. Diante do teor dessas conversas, ele afirmou ter orientado o Departamento de Guerra a adiar qualquer ataque contra usinas de energia e outras estruturas do setor no Irã durante esse período, enquanto as discussões continuam.
Durante a tarde, em entrevista a jornalistas, Trump voltou a mencionar o diálogo entre os dois países e afirmou que há uma chance muito boa de acordo. Estamos em discussões com o Irã para determinar se um acordo mais amplo pode ser alcançado. Desta vez, eles estão falando sério, querem chegar a um acordo, disse.
Contestação iraniana e impacto nos mercados
A versão de Trump, porém, foi contestada por veículos ligados ao governo iraniano. A agência Fars, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, informou que não há negociações em andamento entre autoridades de Teerã e de Washington. Citando fontes do governo iraniano, a agência afirmou que Trump teria recuado após ameaças do Irã de atacar instalações de energia na região do Golfo.
A agência Tasnim, também estatal, divulgou posição semelhante. A publicação afirma que esse tipo de declaração faz parte de uma tentativa de pressão política e que, nesse cenário, o Estreito de Ormuz não voltaria às condições anteriores à guerra, nem haveria estabilidade nos mercados de energia.
Já a agência Mehr informou que o ministro das Relações Exteriores do Irã avalia que a declaração de Trump tem como objetivo pressionar os preços do petróleo e do gás para baixo, após a alta registrada desde o início do conflito.
Reação dos mercados globais
Os mercados reagiram com força nesta segunda-feira após as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o conflito com o Irã. Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street fecharam em alta: o Dow Jones e o Nasdaq Composite subiram 1,38%, enquanto o S&P 500 avançou 1,15%.
Na Europa, o alívio das tensões entre os EUA e o Irã também trouxe um dia positivo para a maioria dos mercados. O índice francês CAC 40 fechou em alta de 0,79%, enquanto o alemão DAX subiu 1,22%. Já o britânico FTSE 100 teve queda de 0,24%.
Nos mercados asiáticos, que já encerraram as negociações desta segunda-feira, o dia foi marcado por quedas generalizadas nas bolsas:
- Na China, o índice de Xangai caiu 3,63%, registrando o pior desempenho desde abril de 2025.
- O CSI300 — que reúne algumas das maiores empresas listadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen — recuou 3,26%, alcançando o menor nível de fechamento em seis meses.
- Em Hong Kong, o índice Hang Seng também teve forte baixa, de 3,54%, no pior resultado em quase um ano.
- No Japão, o índice Nikkei caiu 3,48%, encerrando o pregão aos 51.515 pontos.
- Na Coreia do Sul, o índice Kospi recuou 6,49%, fechando aos 5.405 pontos.
- Em Taiwan, o índice Taiex registrou queda de 2,45%, terminando o dia aos 32.722 pontos.
Com informações da agência de notícias Reuters, o cenário econômico global permanece volátil, com o dólar e o petróleo sob pressão das tensões geopolíticas e das decisões monetárias no Brasil.



