O Acre registrou 72 conflitos de terra durante o ano de 2025, posicionando-se como o quarto estado da região Norte nesse tipo de ocorrência. Os dados, divulgados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) no relatório 'Conflitos no Campo Brasil 2025', indicam que 7.371 famílias foram afetadas pelos conflitos, um aumento em relação a 2024, quando foram documentados 59 conflitos e 6.115 famílias atingidas.
Conflitos no campo no Acre
Além dos conflitos por terra, o levantamento aponta duas ocorrências de trabalho escravo no estado, com 19 trabalhadores resgatados, e um conflito pela água, que afetou 300 famílias. No total, o Acre teve 75 conflitos no campo, impactando mais de 30 mil pessoas.
Na região Norte, o Acre fica atrás do Pará (145 ocorrências), Rondônia (115) e Amazonas (89). Em toda a região, foram registradas 529 ocorrências de conflitos por terra.
Análise dos dados
Segundo o relatório, a proliferação de conflitos na região Norte e em áreas de ocupação mais recente do Nordeste reflete uma tendência histórica de expansão dos negócios com a terra, que marca a luta por terra no Brasil desde os anos 1970.
Violência no campo
O estudo também apresenta dados sobre violência contra povos do campo. No Acre, foram registradas 906 ameaças de despejo, 2.750 tentativas de ameaça ou expulsão, 1,8 mil bens destruídos, uma pistolagem e 4.333 invasões. Além disso, houve dez ameaças de morte.
Em relação aos despejos, a maior incidência está na região Norte, com 2.422 famílias afetadas e 6.189 ameaçadas, com destaque para Rondônia (3.227), Pará (1.279) e Acre (906).
Contexto nacional
Em todo o país, foram registradas 1.286 ocorrências de conflitos por terra em 2025, uma redução de 27,3% em relação a 2024 (1.768). Os conflitos por água somaram 148, e os trabalhistas, 159. Ao todo, 855.126 famílias foram afetadas por esses conflitos no Brasil.



