Harmonização de vinhos com pratos brasileiros: guia completo
Vinhos brasileiros: harmonização com pratos típicos

A harmonização de vinho e comida sempre foi muito eurocêntrica. Se o Pinot Noir é perfeito com o boeuf Bourguignon e o Chianti com a bisteca à Fiorentina, isso se deve ao fato de que, historicamente, a produção e o consumo de vinhos eram restritos aos países do Velho Mundo. Portanto, nada mais natural do que a bebida ser associada aos pratos típicos daquelas latitudes. Hoje, com a produção vitivinícola fortalecida em outros continentes, as possibilidades de harmonização também se ampliaram. E começaram a surgir perguntas: qual é o melhor vinho para acompanhar uma feijoada? E uma moqueca? Será que galinhada vai bem com tinto ou branco? Acarajé só combina com cerveja gelada ou um espumante vai fazer bonito? Se alguém acha que tomar espumante com acarajé é desnecessário, está enganado. Primeiro, porque está limitando a própria experiência enogastronômica e deixando de provar novos sabores; segundo, porque o Brasil hoje se firmou como um dos principais países produtores de ótimos espumantes. Ou seja, o espumante é tão brasileiro quanto o acarajé. Combinar vinhos com pratos brasileiros é um exercício divertido, pois nossa culinária é muito diversa – desde sabores intensos e gordurosos até pratos leves e frescos. A ideia geral é equilibrar peso, acidez, gordura e intensidade de sabor. Veja a seguir combinações que funcionam muito bem.

Feijoada

Os vinhos ideais são espumantes secos ou extra brut, pois a gordura e o sal da feijoada pedem vinhos que “limpem” o paladar. Para isso, nada melhor do que borbulhas e alta acidez. Evite rótulos muito pesados ou alcoólicos. O espumante argentino Norton 101 Bubbles Extra Brut é produzido com a uva austríaca Grüner Veltliner e é extra seco. Apresenta aromas frescos que lembram frutas brancas, além de notas cítricas e tropicais. Outra excelente opção é o espumante brasileiro Iribarrem Blanc de Blanc Nature, produzido pelo método champenoise (o mesmo do Champagne) com 18 meses de amadurecimento sur lie na garrafa. É um espumante seco, elegante, com boa estrutura e final persistente, cuja produção é limitada a apenas mil garrafas.

Churrasco

Carnes grelhadas pedem vinhos tintos encorpados, geralmente com pelo menos 12 meses de estágio em barrica. Algumas uvas que se prestam bem a esse envelhecimento e combinam com carnes são Cabernet Sauvignon, Tannat, Sangiovese e Tempranillo. Essas variedades possuem taninos marcantes que ajudam a equilibrar a gordura da carne. Você pode optar pelo Montes Toscanini Criado en Roble Tannat, um tinto uruguaio complexo e elegante que amadureceu 15 meses em barrica de carvalho francês. Se você gosta de Cabernet Sauvignon, um rótulo de excelente custo-benefício é o Tabali Pedregoso Gran Reserva, um chileno com 10 meses de passagem por carvalho, que se destaca pelos taninos sedosos e uma ótima estrutura. A Sangiovese é a uva tinta icônica da Toscana, usada para elaborar os vinhos de Chianti, além dos célebres Brunello di Montalcino e Rosso di Montalcino. Um rótulo de alta gama e boa relação custo-benefício é o Rosso di Montalcino Camigliano, perfeito para realçar a suculência da carne. Os melhores Tempranillo da Espanha provêm da Rioja e da Ribera del Duero. Experimente o Petit Vega 28 meses, um vinho espanhol potente e saboroso que estagia por 28 meses em barrica de carvalho francês e passa mais 18 meses em garrafa antes de ser comercializado.

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Moqueca (baiana ou capixaba)

Os melhores vinhos são brancos aromáticos e tintos leves, de acidez destacada, pois essa característica ajuda a quebrar a gordura do azeite de dendê e do leite de coco, sem brigar com o peixe. Aposte em Sauvignon Blanc do Chile, como o Tabali Talinay Sauvignon Blanc, um vinho de alta gama, complexo e elegante, do prestigiado Vale do Limarí; ou em Pinot Noir jovens e frescos, como o argentino Norton Select Pinot Noir, que possui belos aromas de frutas vermelhas e uma acidez deliciosa. Com moqueca, espumantes brancos e rosés são verdadeiros coringas. A refrescância e as borbulhas limpam a boca após cada garfada. Escolha rótulos mais encorpados, como os espumantes elaborados pelo método tradicional, o mesmo do Champagne. O Cava Don Román Brut é um espumante espanhol seco de excelente custo-benefício, fresco, equilibrado e com boa persistência.

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Pão de queijo e outros salgados

Petiscos à base de queijos e salgados fritos são perfeitos com espumantes Brut bem refrescantes. Escolha rótulos produzidos pelo método Charmat, que são bem aromáticos e fáceis de beber. Experimente o espumante italiano Belvino Grillo Brut, produzido com a uva branca Grillo na região da Sicília, no sul do país, ou o Veuve du Vernay Brut, espumante francês que apresenta belos aromas de frutas, como pêssego e abacaxi.

Galinhada

Os vinhos ideais são brancos de médio corpo, por exemplo, os produzidos com as uvas Chardonnay, Viognier ou Alvarinho, e tintos leves, como os elaborados com Pinot Noir e Merlot. Uma dica de branco é o Criado en Roble Albariño, uruguaio assinado pela premiada vinícola Montes Toscanini: esse rótulo passa por seis meses de amadurecimento em barricas de carvalho americano sur lie, com bâtonnage frequente – o que aumenta sua complexidade de aromas e sabores. Outro branco perfeito é o Carolina Reserva Chardonnay, que fermenta parcialmente em barricas antigas e posteriormente amadurece seis meses em carvalho francês para ganhar corpo e complexidade. Que tal acompanhar um prato brasileiro com vinho nacional? O Basco Loco Merlot é um belo rótulo tinto gaúcho com aromas de frutas escuras, como mirtilo e amora, e notas tostadas.

Acarajé

A iguaria baiana frita e picante pede vinhos brancos aromáticos, refrescantes e de baixo teor alcoólico. Você pode optar por um Vinho Verde, estilo português levemente efervescente, como o Pardalito DOC, que é jovem e fresco. Ou por um Riesling, uva elegante e de boa acidez, que combina muito bem com frituras. O OH01 Riesling Reserva é um rótulo alemão de excelente custo-benefício, com aromas de frutas brancas, notas de mel e especiarias. Espumantes nem se fala, eles são perfeitos. O Cava Semi Sec Don Román é uma bela dica, pois além de ter borbulhas que limpam o paladar, possui um leve dulçor para balancear o sabor picante do acarajé.

Sobremesas brasileiras

Doces como quindim e pudim pedem vinhos tão doces quanto. Você pode optar por espumantes Moscatel para sobremesas à base de leite ou frutas frescas. Já para doces à base de cacau funcionam melhor vinhos do Porto e Madeira, que costumam ter notas de chocolate, caramelo e bala toffee. Um belo espumante nacional é o Viva La Vida Moscatel Rosé, com delicados aromas florais, notas de morangos frescos e muito equilibrado no paladar. Já um vinho doce realmente surpreendente, pouco conhecido e de ótimo custo-benefício, é o Moscatel de Setúbal DOC Adega de Palmela, produzido em Portugal e conhecido como o “sol engarrafado”. Beba menos, beba melhor.