Apesar da colheita recorde de grãos prevista para a safra 2024/25, o agronegócio brasileiro enfrenta um gargalo estrutural que ameaça comprometer o desempenho do setor: a falta de capacidade de armazenagem. Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a produção nacional deve atingir 336,1 milhões de toneladas, com crescimento de 13% sobre o ciclo anterior.
A capacidade estática de armazenagem, no entanto, segue abaixo de 210 milhões de toneladas, absorvendo cerca de 60% da produção. Esse déficit preocupa produtores e especialistas, que alertam para riscos de perdas e dificuldades logísticas no escoamento da safra.
Em Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, a situação é ainda mais crítica. O estado responde por aproximadamente 30% da produção nacional, mas a infraestrutura de armazenagem não acompanhou o crescimento da lavoura. Sem espaço adequado, os agricultores podem ser forçados a vender a produção a preços menores ou arcar com custos extras de transporte.
A Conab destaca que o problema não é novo, mas se agrava a cada safra recorde. Investimentos em armazéns, silos e logística são urgentes para evitar que o Brasil perca competitividade no mercado global de grãos. Enquanto isso, produtores buscam alternativas como armazenagem temporária e parcerias com cooperativas.



