Com o fim do verão, as praias de Santa Catarina trocam os banhistas por pescadores artesanais. Entre maio e julho, toneladas de tainha são capturadas, impulsionando a economia local e mantendo viva uma tradição de mais de 200 anos herdada dos colonizadores açorianos. A safra de 2026 começa nesta sexta-feira (1º) e segue até julho.
Patrimônio cultural e econômico
A pesca artesanal da tainha é uma das atividades mais importantes para comunidades pesqueiras de Florianópolis e outras regiões do litoral catarinense. Desde 2012, é considerada patrimônio de Santa Catarina, e anualmente é celebrada com festividades. A safra ocorre em todo o litoral, com destaque para Florianópolis, Bombinhas, Laguna e Imbituba, influenciando até a dinâmica de uso das praias. Em Florianópolis, por exemplo, o surfe é restrito durante o período, conforme a lei municipal 10.020/2016.
Como funciona a pesca
Os cardumes migratórios saem da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, em direção ao norte, fugindo das frentes frias e buscando águas mais quentes para desovar. Olheiros avistam os peixes do alto dos costões ou da praia e sinalizam para os pescadores, que embarcam rapidamente para cercar os cardumes. As redes são puxadas por pescadores, moradores e até voluntários que estejam passando pelo local.
Principais praias para a pesca
- Florianópolis: Campeche, Pântano do Sul, Lagoinha do Norte, Barra da Lagoa, Santinho, Ingleses, Praia Brava, Naufragados, Moçambique.
- Bombinhas: Bombinhas, Bombas, Canto Grande, Mariscal, Sepultura.
- Laguna: Farol de Santa Marta, Mar Grosso.
- Imbituba: Praia do Rosa.
Cultura e tradição
Há mais de 200 anos, os açorianos chegaram a Santa Catarina e tiraram do mar o sustento de milhares de pessoas. Hoje, as comunidades litorâneas mantêm tradições como práticas comunitárias, saberes transmitidos entre gerações e cooperação. Em 2019, a pesca artesanal da tainha foi reconhecida por lei como Patrimônio Cultural de Santa Catarina.
Durante a temporada, festividades como a Festa da Tainha, em Florianópolis, celebram a cultura e a gastronomia locais, com pratos típicos, apresentações e música. Um dos pratos mais tradicionais é a tainha assada na brasa, recheada com farofa de camarão.
Reflexo no cotidiano
A tradição também gera momentos curiosos. Em safras passadas, um peixe de quase 7 kg chamou a atenção, e um meme de tainha que lembrava um dinossauro viralizou. Uma lotérica de Florianópolis lançou a “tainha da sorte” após um cliente ganhar R$ 11 milhões, com uma placa que dizia: “Esfregue sua mão na tainha da sorte. Você pode ser o próximo milionário.”
Economia e safra 2026
Neste ano, as cotas de captura foram ampliadas em 20% em relação às safras anteriores. O Ministério da Pesca e Aquicultura autorizou a captura de 8.168 toneladas de tainha. Em 2025, foram mais de 2,5 mil toneladas capturadas por embarcações em Santa Catarina. Para 2026, 419 embarcações de arrasto de praia estão autorizadas.
A temporada movimenta não apenas a rotina dos pescadores, mas também o turismo, a gastronomia e o comércio. Restaurantes especializados oferecem pratos típicos, atraindo visitantes interessados na culinária local.
Cotas por modalidade
- Arrasto de praia: 1.332 toneladas, exclusivo de Santa Catarina.
- Emalhe anilhado: 1.094 toneladas, restrito ao litoral catarinense, com limite de 15 toneladas por embarcação e tolerância extra de até 20%.
- Emalhe costeiro de superfície: 2.070 toneladas, permitido no litoral e em águas mais afastadas das regiões Sudeste e Sul.
- Cerco/traineira: 720 toneladas, operação no litoral e em águas mais afastadas, com distribuição por embarcação.
- Captura no estuário da Lagoa dos Patos: 2.760 toneladas, no Rio Grande do Sul.



