Conflito no Oriente Médio representa risco significativo para o agronegócio brasileiro
A escalada das tensões no Oriente Médio pode gerar impactos relevantes tanto nas exportações quanto nos custos de produção do agronegócio brasileiro, conforme aponta um estudo recente do Insper Agro Global. A instabilidade na região aumenta os riscos logísticos, energéticos e comerciais para o setor, especialmente em cadeias produtivas que possuem forte dependência de mercados locais.
Mercado estratégico para as exportações brasileiras
O Oriente Médio configura-se como um mercado de extrema importância para os produtos agrícolas do Brasil. Em 2025, o país exportou 12,4 bilhões de dólares em produtos do agro para nações da região, o que corresponde a 7,4% de todas as exportações do setor. Entre os principais destinos destacam-se Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
O estudo evidencia a dependência de algumas cadeias produtivas específicas:
- O Oriente Médio absorve aproximadamente 29% das exportações brasileiras de carne de frango, equivalente a cerca de 1,5 milhão de toneladas.
- A região representa 31,5% das exportações de milho, 17% do açúcar e 6,5% da carne bovina.
No caso do milho, a exposição é ainda mais evidente. O Irã foi o principal comprador do produto brasileiro em 2025, respondendo por cerca de 9 milhões de toneladas, o que equivale a 22% de todo o milho exportado pelo país naquele ano.
Riscos logísticos e pressão sobre os custos de produção
A instabilidade em rotas marítimas estratégicas, como os estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb, pode afetar significativamente o transporte marítimo internacional. Essas passagens são essenciais para o fluxo global de petróleo, gás e mercadorias, conectando rotas comerciais vitais entre Ásia, Europa e Oriente Médio.
O impacto também pode chegar diretamente ao campo por meio dos fertilizantes. O Brasil depende fortemente de importações para suprir grande parte desses insumos, sendo que aproximadamente 15,6% dos fertilizantes nitrogenados adquiridos pelo país têm origem no Oriente Médio. Eventuais interrupções logísticas ou aumentos de preços na região podem pressionar os custos de produção agrícola nacional.
Além disso, conflitos na região costumam elevar o preço do petróleo no mercado internacional, o que tende a encarecer combustíveis, fretes e também fertilizantes, cuja produção depende fortemente de gás natural e derivados energéticos.
Adaptação e monitoramento contínuo
Segundo os pesquisadores, a dimensão do impacto dependerá diretamente da duração e intensidade da crise. Caso o fluxo marítimo nas principais rotas comerciais seja mantido, os efeitos podem se limitar a episódios de volatilidade nos preços e nos custos logísticos.
Mesmo diante das incertezas, o estudo ressalta que o agronegócio brasileiro possui um histórico comprovado de adaptação e diversificação de mercados. No entanto, acompanhar a evolução do conflito será fundamental, uma vez que estão em jogo não apenas importantes destinos de exportação, mas também rotas estratégicas do comércio internacional que sustentam a competitividade do setor.
