Ataques no Oriente Médio interrompem distribuição de diesel no agronegócio gaúcho
Quatro depósitos de petróleo e um centro logístico foram atingidos em Teerã, capital do Irã, no último domingo (8), em um episódio que acentua a escalada da guerra no Oriente Médio. Este conflito internacional está gerando impactos diretos e preocupantes para o agronegócio brasileiro, especialmente no Rio Grande do Sul, onde produtores rurais enfrentam graves problemas na entrega de combustíveis essenciais para a colheita.
Reclamações recorrentes e interrupção nas entregas
A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) divulgou um comunicado alertando sobre reclamações constantes de produtores rurais em relação à falta de entrega de combustíveis pelos Transportadores Revendedores Retalhistas (TRRs) desde o final da semana passada. Segundo a entidade, as empresas responsáveis pela distribuição de diesel nas propriedades rurais afirmam que o problema tem origem nas refinarias, que suspenderam a distribuição sem aviso prévio ou justificativa.
Esta interrupção ocorre em um momento crítico: o estado está no auge da safra de verão, com a colheita de arroz e soja em andamento. Qualquer atraso pode expor as lavouras a intempéries, agravando os prejuízos já acumulados devido a eventos climáticos recentes, o que impacta toda a economia gaúcha.
Alta do petróleo e pressão sobre custos
Em nota técnica, a Farsul destaca que a alta do preço do petróleo, impulsionada pelo conflito no Irã, está afetando diretamente o custo do diesel e, consequentemente, o frete doméstico. O índice acumula uma elevação de 37% no ano, aumentando significativamente o risco de pressão de custos para o agronegócio brasileiro.
"O risco de pressão de custos para o agro brasileiro aumentou de forma relevante", afirma a federação, que já solicitou ao governo gaúcho uma atuação junto ao Ministério de Minas e Energia para evitar o agravamento da situação.
Posicionamentos e busca por soluções
A reportagem entrou em contato com o governo do estado, distribuidores de diesel e a Petrobras, mas não obteve respostas até a última atualização. Em seu comunicado, a Farsul detalhou as medidas tomadas:
- Acionamento do Departamento Jurídico para normalizar os serviços de entrega de combustíveis.
- Solicitação ao Governo do Estado para atuar junto ao Ministério de Minas e Energia.
- Monitoramento contínuo da situação e adoção de todas as medidas legais cabíveis.
A Petrobras, por sua vez, emitiu uma nota afirmando que não houve alterações nas entregas de diesel por parte de suas refinarias e que as operações no Rio Grande do Sul estão ocorrendo conforme o planejado, dentro do volume programado.
A situação permanece incerta, com a Farsul vigilante para evitar prejuízos ao setor agropecuário gaúcho, enquanto a guerra no Oriente Médio continua a gerar ondas de impacto na economia global e local.



