STF mantém Taxa de Preservação Ambiental em Bombinhas, SC, após recurso de deputados
STF mantém taxa ambiental em Bombinhas após recurso de deputados

STF mantém Taxa de Preservação Ambiental em Bombinhas, SC, após recurso de deputados

O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve, por unanimidade, a Taxa de Preservação Ambiental (TPA) cobrada de visitantes em Bombinhas, no Litoral de Santa Catarina. A Segunda Turma da Corte rejeitou um recurso apresentado por deputados estaduais e confirmou a validade da cobrança feita pela prefeitura municipal.

A decisão, tomada na segunda-feira (9), teve como relator o ministro Luiz Fux e encerra, por ora, uma série de contestações à TPA desde sua criação em 2014. O deputado estadual Ivan Naatz (PL) foi o principal nome à frente dos questionamentos à taxa.

O que decidiu o STF sobre a taxa ambiental

Os deputados estaduais questionaram a constitucionalidade da taxa após uma mudança na Constituição de Santa Catarina, em 2020, que proibiu a criação de pedágios municipais. Segundo os parlamentares, essa alteração tornaria a cobrança em Bombinhas ilegal.

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No entanto, o STF manteve a cobrança ao entender que o recurso discutia uma lei local à luz da Constituição estadual, sem envolver diretamente a Constituição Federal, o que foge da competência da Corte. O ministro Luiz Fux votou por negar o pedido dos parlamentares, sendo acompanhado pelos ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Nunes Marques e André Mendonça.

"O Tribunal de Justiça de Santa Catarina já havia entendido que a taxa continuava válida, e agora o Supremo confirmou essa posição", explicou um analista jurídico consultado pela reportagem.

Bombinhas: paraíso natural que enfrenta desafios do turismo de massa

Bombinhas é um dos destinos paradisíacos de Santa Catarina e a menor cidade do estado em extensão territorial, com apenas 34,5 quilômetros quadrados. O município tem cerca de 67% do território coberto por áreas verdes, três unidades de conservação e impressionantes 39 praias.

Considerada a Capital Nacional do Mergulho Ecológico, a cidade recebe um volume intenso de turistas: na última temporada foram 2,3 milhões de visitantes, número que chega a multiplicar por até 18 vezes a população fixa de aproximadamente 25 mil moradores.

O município possui cinco praias com o selo Bandeira Azul, certificação internacional conhecida como o "Oscar das Praias", que atesta qualidade ambiental e de infraestrutura.

Objetivos e funcionamento da Taxa de Preservação Ambiental

A TPA foi criada em 2014 e entrou em vigor em 2015 com o objetivo de financiar ações de preservação ambiental na cidade. Bombinhas foi uma das primeiras cidades do Brasil a instituir uma taxa específica para visitantes.

A cobrança é feita de veículos que entram no município durante a temporada turística, que neste ano segue obrigatória até abril. Os valores variam conforme o tipo de veículo:

  • Motocicletas: R$ 4,50
  • Automóveis de passeio: valores intermediários
  • Ônibus de turismo: R$ 191,50

Entre as medidas implementadas com os recursos arrecadados estão:

  1. Recuperação de vegetação nativa
  2. Isolamento de áreas em processo de regeneração
  3. Elaboração de planos de manejo em parques municipais
  4. Monitoramento ambiental marinho contínuo

Reações à decisão do Supremo Tribunal Federal

Em nota oficial, a Prefeitura de Bombinhas classificou o resultado como uma "grande vitória" para a preservação ambiental do município. A administração municipal destacou que os recursos da TPA são essenciais para manter a qualidade ambiental que torna a cidade um destino turístico tão procurado.

Por outro lado, o deputado Ivan Naatz afirmou à imprensa que a contestação à cobrança deve ser retomada em outras instâncias da Justiça. "Ministério Público e eu estamos preparando uma nova ação", declarou o parlamentar, indicando que a batalha jurídica pode continuar.

Cenário nacional de taxas ambientais para turistas

A cobrança de taxas ambientais para turistas ainda é relativamente rara no Brasil. Além de Bombinhas, modelos semelhantes existem em destinos como:

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  • Fernando de Noronha (Pernambuco)
  • Jericoacoara (Ceará)

Essas iniciativas representam uma tendência crescente de destinos turísticos que buscam equilibrar a preservação ambiental com o desenvolvimento econômico através do turismo, especialmente em locais com ecossistemas frágeis ou alta pressão turística.

A decisão do STF estabelece um importante precedente para outras cidades que consideram implementar mecanismos semelhantes de financiamento para preservação ambiental, especialmente em regiões com alta concentração turística e desafios ambientais significativos.