Brasiléia recebe ordem do MP para implantar ponto biométrico em unidades de saúde
O município de Brasiléia, localizado no interior do estado do Acre, foi obrigado a implantar sistema de ponto eletrônico biométrico em todas as unidades de saúde da rede municipal. A decisão foi publicada no diário oficial do Ministério Público do Estado do Acre (MP-AC) na última quinta-feira, dia 26 de setembro, após investigação que apontou falhas graves no controle de frequência dos servidores da saúde.
Prazo estabelecido e penalidades por descumprimento
A determinação judicial estabelece um prazo rigoroso de 90 dias para que o sistema de ponto biométrico esteja completamente instalado e em pleno funcionamento em todas as unidades de saúde do município. Além disso, a prefeitura de Brasiléia deverá apresentar, em um período máximo de 20 dias, um plano detalhado de implantação que inclua cronograma completo e estimativa precisa de custos para a implementação do sistema.
Em caso de descumprimento das determinações, foi fixada uma multa diária significativa de R$ 10 mil, com limite máximo de aplicação por 30 dias consecutivos. O portal de notícias g1 entrou em contato com a prefeitura da cidade para obter posicionamento sobre a medida, mas ainda aguarda retorno oficial das autoridades municipais.
Investigação que originou a ação civil pública
A ação civil pública que resultou na determinação judicial foi proposta após a conclusão de um inquérito civil instaurado em 2020. Segundo as investigações conduzidas pelo MP-AC, foram apuradas denúncias graves de que servidores da área da saúde estariam se ausentando irregularmente do trabalho para frequentar cursos em Cobija, cidade boliviana que faz fronteira direta com o município de Brasiléia.
Durante as investigações, o Ministério Público constatou que o município utilizava um sistema ultrapassado de controle manual de ponto. As folhas de ponto analisadas apresentavam apenas marcações genéricas indicando presença ou falta dos servidores, sem qualquer registro específico dos horários de entrada e saída dos funcionários.
Problemas identificados no sistema atual
Para os promotores do Ministério Público, o modelo de controle manual adotado pelo município não garante fiscalização adequada da jornada de trabalho dos servidores e abre margem considerável para que funcionários registrem presença sem efetivamente permanecerem em seus locais de trabalho. Esta situação, segundo o MP, pode comprometer seriamente a qualidade do atendimento prestado à população que depende dos serviços públicos de saúde.
Ao analisar minuciosamente o caso, os promotores determinaram que a implantação do ponto eletrônico biométrico se torna necessária e urgente para assegurar controle efetivo da frequência dos servidores e garantir a regularidade e eficiência do serviço público de saúde oferecido à comunidade de Brasiléia.
Contexto mais amplo da administração pública
Esta decisão ocorre em um contexto onde diversos municípios brasileiros têm enfrentado desafios similares na modernização de seus sistemas de controle de frequência. A implementação de tecnologia biométrica representa um avanço significativo na transparência da gestão pública e na otimização dos recursos humanos, especialmente em setores essenciais como a saúde.
O caso de Brasiléia serve como exemplo de como o Ministério Público atua como órgão fiscalizador da administração pública, garantindo que os recursos municipais sejam utilizados de forma adequada e que a população receba serviços de qualidade conforme estabelecido pela legislação brasileira.



