Policial Militar é afastado após chutar adolescente em faixa de pedestre durante Carnaval
A Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul determinou o afastamento de um cabo da Polícia Militar envolvido em um caso de agressão a uma adolescente de 15 anos durante as festas de Carnaval em Campo Grande. O incidente, registrado em vídeo que viralizou nas redes sociais, ocorreu na madrugada da última terça-feira, marcando o encerramento das comemorações na capital sul-mato-grossense.
Investigação aberta e afastamento imediato
A Polícia Militar instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da ação violenta, que mostra o policial chutando a jovem enquanto ela atravessava uma faixa de pedestres. O secretário estadual de Segurança Pública, Antonio Carlos Videira, confirmou que o militar ficará afastado de suas funções até a conclusão das investigações, com prazo estimado de trinta dias.
Durante o processo investigativo, tanto o agente quanto outros policiais que integravam a equipe serão ouvidos pelas autoridades competentes. Videira destacou que, apesar do histórico considerado positivo do policial, sua conduta no episódio foi claramente contrária às normas e doutrinas estabelecidas pela corporação.
Relato da vítima e detalhes da agressão
A adolescente agredida relatou ao g1 que sente dores intensas, principalmente no braço, e que não recebeu qualquer tipo de assistência imediata após cair no chão devido ao impacto do chute. Segundo seu depoimento, os policiais que atuavam na segurança do evento se aproximaram após uma discussão e iniciaram as agressões contra ela e sua irmã, utilizando cassetetes.
"Eles já vieram batendo o cassetete em mim e na minha irmã. Depois, um policial mandou a gente ir embora. Quando virei as costas, ele me deu um chute e eu caí", descreveu a jovem, cujo braço apresentava hematomas visíveis conforme registrado em imagens.
Posicionamento da Polícia Militar
Em nota oficial, a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul reconheceu a ocorrência da agressão e informou que tomou conhecimento do caso através do vídeo amplamente divulgado nas plataformas digitais. A corporação enfatizou que não compactua com desvios de conduta ou ações que extrapolem as normas internas, ressaltando que, caso sejam confirmados excessos, os responsáveis estarão sujeitos às sanções previstas no regulamento disciplinar.
A PMMS também afirmou que ações individuais não refletem o padrão operacional da tropa durante o Carnaval, lembrando que o policiamento foi intensificado e contou com o apoio de tecnologias avançadas, como drones e portais de segurança, para garantir a ordem pública.
Análise de fatores contextuais
O secretário Antonio Carlos Videira mencionou que a investigação também considerará aspectos como o tempo de serviço do policial e possíveis níveis de estresse no momento do ocorrido. "O policial tinha comportamento classificado como excepcional, mas teve uma conduta contrária às doutrinas policiais. Também estamos analisando fatores como o tempo de trabalho e o nível de estresse no momento da ocorrência", explicou Videira, demonstrando uma abordagem abrangente na apuração dos fatos.
O caso reacende debates sobre a atuação das forças de segurança em eventos de grande porte e a necessidade de rigor no cumprimento dos protocolos estabelecidos, especialmente em situações que envolvem jovens e adolescentes.