Suspeito de feminicídio em Caraguatatuba já tinha passagem por tráfico de drogas
Suspeito de feminicídio em SP tinha passagem por tráfico

Suspeito de feminicídio em Caraguatatuba já tinha histórico criminal por tráfico de drogas

André Luiz Apolinário, de 48 anos, foi preso nesta sexta-feira (20) em Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo, suspeito de cometer feminicídio e ocultação de cadáver. A vítima, Cássia Kerolin de Souza Elias, de 27 anos, foi encontrada enterrada dentro de um barraco de madeira na Rua José Poloni, no bairro Rio do Ouro.

Histórico criminal do acusado

André Luiz Apolinário não é novato no sistema penal. Em maio de 2019, ele foi preso em flagrante por tráfico de drogas na Praia das Palmeiras, em Caraguatatuba. Na ocasião, a polícia encontrou 721 porções de cocaína e mais de 1,2 kg de crack no quarto onde ele morava. Curiosamente, ele havia sido alvejado por pelo menos quatro tiros em um incidente anterior, mas sobreviveu.

Em agosto de 2020, ele foi condenado a 7 anos de prisão em regime inicial fechado. Ao longo dos anos, sua defesa conseguiu progressões de pena: em agosto de 2023, ele passou para o regime semiaberto e, em abril do ano passado, para o regime aberto. Ele cumpria pena no Centro de Progressão Penitenciária de Porto Feliz (SP) até ser solto.

Detenção e investigações em andamento

A prisão temporária de André ocorreu na Avenida Paraná, em Caraguatatuba, após mandado judicial. Segundo a delegada Lilian Sayed, em entrevista à TV Vanguarda, ele foi agredido por moradores antes da intervenção da Guarda Civil Municipal. Após atendimento médico, ele foi ouvido no inquérito policial, mas optou pelo direito ao silêncio.

"As investigações vão continuar, ainda estamos amealhando mais elementos. Ele permanecerá preso pelo prazo de 30 dias em razão da prisão temporária, mas as investigações prosseguem", explicou a delegada. A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) confirmou a captura em nota.

Detalhes do crime e sepultamento da vítima

O corpo de Cássia Kerolin de Souza Elias foi descoberto na madrugada de quinta-feira (19), após familiares acionarem a polícia. Com ajuda do Corpo de Bombeiros, os agentes escavaram uma área dentro do barraco e encontraram a vítima enterrada a aproximadamente 1 metro de profundidade. O local apresentava indícios de recente movimentação de terra.

A vítima foi sepultada na manhã de sexta-feira (20) no Bela Vista Cemitério Parque, em Caraguatatuba. Devido às condições do corpo, o caixão foi fechado e não houve velório. A despedida reuniu amigos e familiares por volta das 9h.

Família cobra justiça e relata últimos momentos

Em entrevista, Catarina Tereza de Souza, mãe de Cássia, expressou dor e desejo por justiça. "Jamais achei que alguém fosse fazer uma coisa dessa, porque ela era bem querida na cidade, todo mundo gostava dela. Então, é triste. Eu quero saber como isso aconteceu", afirmou.

Ela relatou que fez o último contato com a filha na quarta-feira (18), por volta das 8h. Após não ter notícias, buscou a polícia à noite, mas foi orientada a aguardar 72 horas para registrar desaparecimento. Horas depois, o corpo foi encontrado no barraco do companheiro da vítima, com uma geladeira e um colchão sobre o buraco.

O g1 tenta contato com a defesa de André Luiz Apolinário para mais informações. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, com foco em esclarecer os motivos e circunstâncias do feminicídio.