Presidente da Unafisco vira investigado após criticar operação do STF sobre vazamento de dados
Presidente da Unafisco investigado após criticar operação do STF

Presidente da Unafisco se torna investigado após críticas públicas à operação do STF

O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Kléber Cabral, transformou-se em investigado dentro do inquérito das fake news após realizar declarações públicas criticando a operação que apura supostos vazamentos de dados sigilosos de ministros do Supremo Tribunal Federal. O depoimento ocorreu nesta sexta-feira (20) por videoconferência, seguindo determinação do ministro Alexandre de Moraes, que comanda o inquérito no STF.

Operação mira servidores públicos por possível vazamento indevido

A operação policial que desencadeou a polêmica foi executada na terça-feira (18) pela Polícia Federal, cumprindo mandados de busca e apreensão determinados por Alexandre de Moraes a partir de pedido da Procuradoria-Geral da República. Segundo informações do Supremo Tribunal Federal, a ação representa um desdobramento do inquérito das fake news para investigar possível vazamento indevido de dados sigilosos pertencentes a ministros do STF, ao procurador-geral da República e a seus familiares.

Quatro servidores públicos foram alvos diretos da operação, incluindo um auditor da Receita Federal e três funcionários cedidos por outros órgãos governamentais. As medidas cautelares aplicadas foram rigorosas: além da apreensão dos celulares, os servidores foram afastados de suas funções públicas, tiveram os passaportes cancelados, receberam proibição de sair do país e passaram a utilizar tornozeleiras eletrônicas. A Receita Federal já comunicou ao ministro Alexandre de Moraes que uma auditoria interna está em andamento e que irregularidades preliminares foram identificadas.

Críticas públicas levam à investigação do presidente associativo

Na quarta-feira (18), logo após a operação, Kléber Cabral concedeu entrevistas à imprensa onde expressou duras críticas às ações contra os servidores públicos. Em participação no programa Estúdio i da GloboNews, o presidente da Unafisco afirmou: "Há uma mensagem, que eu preciso registrar, subliminar, que isso afeta muitos auditores, que é o seguinte: esse tipo de medida busca humilhar, busca constranger e busca amedrontar. E o pior é que dá certo".

As declarações públicas motivaram uma reação imediata do ministro Alexandre de Moraes, que determinou no dia seguinte que a Polícia Federal intimasse Kléber Cabral para prestar depoimento. A decisão judicial foi mantida sob sigilo, deixando o presidente da Unafisco sem conhecimento sobre sua condição processual - se compareceria como testemunha ou como investigado.

Depoimento sigiloso e manifestações de apoio

O depoimento de Kléber Cabral ocorreu na tarde desta sexta-feira (20) através de videoconferência, com o conteúdo mantido em sigilo devido às regras da investigação. Em nota divulgada no início da noite, a Unafisco confirmou que seu presidente foi ouvido na condição de investigado no âmbito do inquérito das fake news, exclusivamente em razão das declarações concedidas à imprensa na quarta-feira.

Diversas entidades manifestaram apoio ao presidente da Unafisco durante a noite de sexta-feira:

  • O Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado e o Instituto Servir Brasil afirmaram acompanhar o caso e destacaram que a liberdade de expressão e o exercício do mandato associativo são prerrogativas essenciais ao Estado democrático de direito.
  • A Associação Nacional de Fiscais de Tributos Estaduais enfatizou a relevância da atuação independente das carreiras fiscais.
  • A Confederação Nacional dos Servidores Públicos expressou preocupação com a convocação por declarações públicas e ressaltou a proteção constitucional à liberdade de manifestação.
  • A Delegacia Sindical de São Paulo do Sindifisco Nacional declarou solidariedade a Kléber Cabral.

O caso continua sob investigação sigilosa, com a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal mantendo as informações sobre os desdobramentos processuais restritas aos autos do inquérito das fake news.