Quatro pessoas são presas por envolvimento em desaparecimento e morte de jovem em Guarujá
A Polícia Civil de São Paulo confirmou a prisão de três homens e uma mulher nesta quinta-feira (19) por seu envolvimento no desaparecimento e morte de Maria Eduarda Cordeiro da Silva, uma jovem de 20 anos que sumiu após o réveillon em Guarujá, no litoral paulista. As investigações apontam que a vítima foi executada após um julgamento realizado pelo chamado 'tribunal do crime', uma prática associada a facções criminosas na região.
Detalhes do caso e confirmação da morte
O delegado Thiago Nemi Bonametti, da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Santos, responsável pelo caso, informou que a morte de Maria Eduarda foi confirmada com base em múltiplas evidências. O modus operandi do crime, o sinal do celular da vítima e os relatos de testemunhas convergiram para essa conclusão, embora o corpo ainda não tenha sido localizado. As buscas continuam ativas para encontrar os restos mortais e identificar outros possíveis envolvidos no homicídio.
Maria Eduarda havia se mudado de Curitiba, no Paraná, para Guarujá há aproximadamente três meses antes de desaparecer, acompanhada de seu namorado. Sua mãe, Claudieli Natali Cordeiro, de 34 anos, relatou que a filha tinha antecedentes por tráfico de drogas de quando era adolescente, mas enfatizou que, até onde sabia, a jovem estava trabalhando na praia e não mantinha mais ligações com atividades criminosas.
Circunstâncias do desaparecimento e prisões
O último contato conhecido entre Maria Eduarda e sua família ocorreu no dia 2 de janeiro, quando a jovem enviou fotos da virada do ano para a mãe. No dia seguinte, Claudieli recebeu mensagens de um número desconhecido, onde uma mulher se apresentou como irmã do namorado de Maria Eduarda. A mensagem alegava que o casal havia sido sequestrado e estava sendo mantido em cárcere privado em um morro de Guarujá, acusados de pertencer ao Comando Vermelho (CV).
Posteriormente, o próprio namorado entrou em contato com a mãe da vítima no dia 5 de janeiro, confirmando que havia sido liberado pelos criminosos, mas não sabia o paradeiro de Maria Eduarda. Ele relatou que os sequestradores ficaram com a jovem, o que aumentou as suspeitas de um desfecho trágico.
As prisões foram realizadas pela 3ª Delegacia de Homicídios com apoio do Grupo de Operações Especiais (GOE), mediante mandados temporários. Os quatro detidos, com idades entre 19 e 28 anos, são investigados pelos crimes de organização criminosa e homicídio qualificado. De acordo com a polícia, as investigações revelaram que:
- Um homem e uma mulher foram até a casa da vítima para descartar seus pertences, numa tentativa de dificultar a elucidação do caso.
- Um integrante de facção criminosa participou diretamente da execução de Maria Eduarda.
- Um motorista de aplicativo transportou envolvidos no crime para o Estado do Paraná, com motivos ainda sob investigação.
Contexto e investigações em andamento
Este caso destaca a atuação violenta do crime organizado na região de Guarujá, onde 'tribunais do crime' são utilizados para julgar e punir supostos infratores de forma sumária. A polícia continua trabalhando para localizar o corpo de Maria Eduarda e apurar a participação de outros indivíduos no homicídio, reforçando a necessidade de combate a essas estruturas criminosas.
A família da vítima aguarda por justiça, enquanto as autoridades buscam respostas para um crime que chocou a comunidade local e levantou questões sobre segurança pública e a infiltração de facções em áreas urbanas.