Brasil, Índia e França lideram aliança global por regulação da inteligência artificial
Brasil, Índia e França unidos por regulação mundial da IA

Aliança global se forma em defesa da regulação da inteligência artificial

Nesta quinta-feira (19), em Nova Déli, um encontro histórico reuniu Brasil, Índia e França em uma frente comum: a defesa da regulação mundial da inteligência artificial. A cúpula, que contou com a presença de chefes de Estado e executivos das maiores empresas de tecnologia do planeta, marcou um momento crucial no debate sobre o futuro da IA, com discursos que convergiram para a necessidade premente de estabelecer normas internacionais.

Consenso emergente entre nações e gigantes tecnológicas

Entre os participantes, desenhou-se um quase consenso: a inteligência artificial precisa ser regulada de alguma forma para garantir segurança e equidade. Sam Altman, da OpenAI, fez uma declaração impactante ao sugerir que "o mundo vai precisar de algo como a Agência Internacional de Energia Atômica para a coordenação internacional da IA". Já Dario Amodei, da Anthropic, alertou que a IA superará a inteligência humana em poucos anos, reforçando a urgência do tema.

Os executivos receberam tratamento equivalente a chefes de Estado, com direito a foto oficial ao lado do anfitrião, o primeiro-ministro indiano Narendra Modi. Curiosamente, enquanto todos se deram as mãos em um gesto simbólico de união, os concorrentes diretos Sam Altman e Dario Amodei mantiveram distância, evidenciando as tensões competitivas no setor.

Índia busca posição de liderança na terceira via da IA

Com a ausência notável de Estados Unidos e China, que travam uma disputa acirrada pela liderança no desenvolvimento da tecnologia, a Índia viu uma oportunidade estratégica. O país busca se colocar como líder de uma terceira via na governança da inteligência artificial, aproveitando o vácuo deixado pelas duas superpotências.

Este é o quarto encontro de um evento anual que começou na Inglaterra em 2023, demonstrando a evolução contínua do debate global. No discurso de abertura, Narendra Modi enfatizou a necessidade de democratizar a inteligência artificial, alertando que "os humanos não podem se tornar apenas dados" e que as decisões atuais definirão o futuro da humanidade.

Posicionamento firme do Brasil e da França

O presidente Lula encontrou em Emmanuel Macron, da França, um aliado fundamental na busca pela regulação do uso da IA. Macron deixou claro que o objetivo não é impedir o avanço tecnológico, mas garantir que ele ocorra de forma segura e benéfica para todos.

Lula, por sua vez, defendeu uma regulação que reconheça as particularidades dos diferentes países, mas que garanta um uso centrado nos seres humanos e fortalecedor da democracia. Sua crítica ao modelo atual foi contundente: "Os dados gerados por nossos cidadãos, empresas e organismos públicos estão sendo apropriados por poucos conglomerados sem contrapartida equivalente em geração de valor e renda em nossos territórios. Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação".

Contexto brasileiro e apelo da ONU

No Brasil, o debate avança paralelamente com a discussão do Marco Legal da Inteligência Artificial no Congresso Nacional. O texto, aprovado pelo Senado em dezembro de 2024 e agora em análise na Câmara dos Deputados, propõe regras baseadas em transparência, garantias de direitos fundamentais e responsabilização para o desenvolvimento e uso da IA.

O secretário-geral da ONU reforçou a importância da iniciativa, argumentando que o futuro da inteligência artificial não pode ficar nas mãos de poucos países ou alguns bilionários. Seu apelo ecoou entre os participantes, destacando a necessidade de uma governança verdadeiramente global e inclusiva para uma tecnologia que promete redefinir a sociedade humana nas próximas décadas.