Viúva e irmã enfrentarão júri popular por assassinato de cartorário em Goiás
Mais de quatro anos após o crime que chocou a região central de Goiás, a viúva e a irmã acusadas de sequestrar e matar o dono de um cartório em Rubiataba finalmente terão seu destino decidido pelo tribunal do júri. Alyssa Martins de Carvalho Chaves e Aleyna Martins De Carvalho serão julgadas no dia 26 de março, conforme decisão do juiz Yvan Santana Ferreira.
Crime brutal com múltiplos envolvidos
O Ministério Público de Goiás acusa as duas irmãs do homicídio qualificado de Luiz Fernando Alves Chaves, de 40 anos, com quem Alyssa era casada. O cartorário foi sequestrado e morto na noite de 28 de dezembro de 2021, vítima de 15 tiros após ser rendido dentro de sua própria residência. Seu corpo foi encontrado na madrugada seguinte em uma área de canavial, aproximadamente 20 km distante de Rubiataba.
As investigações revelaram que o crime teria sido planejado por Alyssa com o objetivo específico de ficar com o seguro de vida do marido. Dois homens que participaram diretamente da execução confessaram à polícia que receberiam R$ 5 mil além da caminhonete da vítima como pagamento pelo assassinato.
Defesa se prepara para o julgamento
Em nota oficial, o advogado Auro Jayme, responsável pela defesa de Alyssa, manifestou confiança na instituição do tribunal do júri. "Todas as provas de inocência da acusada serão apresentadas e comprovadas em plenário", afirmou o defensor. O g1 procurou a defesa de Aleyna, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Sete condenações já foram proferidas
Além das duas irmãs que agora enfrentarão o júri popular, outras cinco pessoas já foram condenadas pela Justiça por participação no crime:
- Ana Cláudia da Silva Rosa - amante de Alyssa e idealizadora do crime: condenada a 28 anos, 1 mês e 12 dias de prisão
- Luizmar Francisco Neto - responsável por planejar toda a ação: 31 anos e 6 meses de prisão
- André Luiz Silva - recrutador dos executores: 24 anos, 11 meses e 27 dias de prisão
- Edivan Batista Pereira - executor: 41 anos, 6 meses e 27 dias de prisão
- Laurindo Lucas Gouveia dos Santos - motorista e executor: 26 anos, 5 meses e 13 dias de prisão
Luizmar Francisco foi condenado em março de 2024, enquanto os outros quatro participantes receberam suas sentenças dois meses depois. Segundo as promotoras que atuaram no caso, Luizmar arquitetou o crime e se encontrou pessoalmente com os atiradores para repassar informações detalhadas sobre a vítima e sua rotina. Foi ele quem entregou as chaves da casa, o controle do portão e as abraçadeiras de plástico utilizadas para amarrar as mãos de Luiz Fernando.
Motivação financeira e amorosa
A participação de Ana Cláudia se deve ao fato de que ela e Alyssa estavam envolvidas amorosamente, de acordo com as investigações do Ministério Público. Juntas, as duas mulheres idealizaram a morte do cartorário, contratando tanto o planejamento quanto a execução do crime. André Luiz Silva, por sua vez, foi identificado como o fornecedor da arma utilizada no assassinato.
Ao fixar as penas dos já condenados, o juiz considerou circunstâncias agravantes como a prática do homicídio mediante promessa de pagamento e o uso de recursos que dificultaram significativamente a defesa da vítima. O caso continua a mobilizar a atenção da comunidade jurídica e da população de Rubiataba, que aguarda com expectativa o desfecho do julgamento das duas irmãs no próximo mês de março.