Síndico confessa assassinato de corretora após disputa judicial por áreas comuns em condomínio de Goiás
O síndico Cleber Rosa de Oliveira confessou à Polícia Civil o assassinato da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, ocorrido em Caldas Novas, na região sul de Goiás. O crime, motivado por uma disputa judicial sobre o uso das áreas comuns do condomínio, resultou na morte da vítima com dois tiros na cabeça.
Disputa judicial foi o estopim para o crime premeditado
De acordo com o delegado André Luiz Barbosa, que conduziu a investigação, a motivação do homicídio foi agravada por uma decisão da Justiça. Cerca de seis dias antes do crime, Daiane obteve vitória na ação judicial na qual o condomínio foi condenado por danos morais devido a práticas abusivas que a proibiam de utilizar as áreas comuns e exercer sua profissão no local.
O síndico tentou afastar a corretora da administração dos condomínios da família, impedindo-a de usar as áreas compartilhadas e praticar a corretagem no empreendimento. As desavenças entre os dois remontam a mais de um ano, com o Ministério Público Estadual de Goiás (MP-GO) já tendo denunciado Cleber por perseguição contra Daiane antes do assassinato.
Crime foi planejado e capturado em vídeo pela própria vítima
O homicídio ocorreu na noite do dia 17 de dezembro, quando Daiane desceu ao subsolo do prédio para verificar uma queda de energia. Cleber armou uma emboscada e atacou a corretora com uma pancada na cabeça antes de efetuar os disparos. A Polícia Científica confirmou que uma das balas ficou alojada na cabeça da vítima, enquanto a outra saiu pelo olho esquerdo, com os tiros sendo dados na região da mandíbula.
Um vídeo gravado pela própria corretora no momento do ataque foi recuperado pela polícia e se tornou peça fundamental nas investigações. As imagens mostram um homem encapuzado e de luvas, identificado como Cleber, surpreendendo Daiane no subsolo. A arma utilizada no crime foi uma pistola .380 semiautomática.
Investigação detalhada levou à prisão e confissão do síndico
Cleber foi preso no dia 28 de janeiro, no próprio prédio onde Daiane desapareceu. Durante a prisão, ele confessou o crime e indicou o local onde abandonou o corpo da vítima, em uma área de mata a aproximadamente 15 quilômetros de Caldas Novas. Apesar da confissão, o síndico inicialmente não revelou como cometeu o assassinato.
A polícia realizou perícias minuciosas no subsolo do edifício, no carro do síndico e no local onde o veículo de Daiane foi encontrado. O celular da corretora foi recuperado escondido em uma tubulação de esgoto, contendo evidências cruciais para o caso.
Defesa do síndico aguarda análise completa dos documentos
Em nota oficial, o escritório Nestor Távora e Laudelina Inácio Advocacia Associada, que representa Cleber Rosa de Oliveira, informou que a defesa técnica ainda não teve acesso à totalidade dos documentos da investigação, incluindo o Relatório Final Policial. A equipe de defesa afirmou que somente se manifestará após analisar todo o conteúdo disponível.
O síndico será indiciado por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. As investigações confirmaram que o crime foi premeditado e cometido mediante emboscada, com o vídeo gravado pela vítima servindo como prova contundente da natureza planejada do assassinato.