Sangue em box de banheiro pode redefinir investigação da morte de PM em São Paulo
Sangue em box pode mudar rumo de caso de morte de PM em SP

Sangue encontrado em box de banheiro pode redefinir investigação da morte de PM em São Paulo

A Justiça de São Paulo atendeu aos pedidos da Polícia Civil e do Ministério Público e determinou a exumação do corpo da soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos. A policial militar foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde residia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, no bairro do Brás, região central da capital paulista.

A exumação será realizada pelo Instituto Médico Legal da Polícia Técnico-Científica, com peritos se dirigindo ao cemitério onde Gisele está sepultada para recolher seus restos mortais e transportá-los ao órgão. A previsão é que a nova perícia no cadáver tenha início no próximo sábado, dia 7. Os resultados dos exames serão posteriormente encaminhados ao 8º Distrito Policial do Brás, que investiga o caso como "morte suspeita".

Mudança no registro policial e alegações de violência psicológica

A delegacia solicitou a exumação devido a persistentes dúvidas sobre as circunstâncias que levaram ao óbito da soldado. Inicialmente, o registro policial apontava para suicídio, mas essa classificação foi alterada após a família de Gisele relatar à investigação que a policial sofria violência psicológica por parte do cônjuge. O tenente-coronel Geraldo pediu afastamento do trabalho na Polícia Militar após a morte da esposa, sendo atendido pela corporação.

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Gisele faleceu no dia 18 de fevereiro. Em seu depoimento inicial, Geraldo afirmou que discutiu com a esposa quando mencionou o desejo de separação. Ele relatou que foi tomar banho e, um minuto depois, ouviu o barulho de um disparo. Ao abrir a porta, disse ter encontrado Gisele caída na sala, ferida e sangrando na cabeça, segurando uma arma de sua propriedade. Imediatamente, ele acionou as autoridades para solicitar auxílio e narrar os acontecimentos.

Descobertas periciais contradizem versão inicial

A perícia da Polícia Técnico-Científica utilizou luminol e identificou sangue ainda não identificado no box do banheiro onde Geraldo alegou estar no momento do disparo. O laudo necroscópico concluiu que o tiro que vitimou Gisele foi efetuado com o cano da arma encostado no lado direito da cabeça. O exame residuográfico, destinado a detectar resquícios de pólvora, apresentou resultado negativo tanto para as mãos da soldado quanto para as do tenente-coronel.

A investigação prossegue com exames adicionais para determinar quem acionou o gatilho. O casal coabitava desde 2024. A filha de Gisele, de sete anos, residia com eles, mas não se encontrava no apartamento no instante do disparo fatal.

Família contesta narrativa e investigação avança

Parentes da soldado sempre contestaram a versão de suicídio, descrevendo ao 8º DP do Brás um relacionamento tóxico, marcado por perseguição e proibições impostas por Geraldo, incluindo restrições ao uso de perfumes, batom e salto alto, além de permitir que ela frequentasse a academia apenas em sua companhia.

Mesmo diante das incertezas que envolvem a morte de Gisele, Geraldo ainda não é formalmente considerado investigado. A reportagem busca contato com sua defesa para obter comentários. Conforme registrado no boletim de ocorrência, as discussões entre o casal teriam sido motivadas por ciúmes dela, com boatos na Corregedoria da PM sobre supostas amantes do coronel. Ele mencionou que passaram a dormir em quartos separados e que guardava a arma no armário de um dos dormitórios.

A polícia está realizando a reconstituição da morte da PM encontrada com um tiro na cabeça no Centro de São Paulo, buscando esclarecer os fatos e garantir justiça no caso.

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