PF desmantela rede de tráfico de pessoas que aliciava argentinas para exploração sexual em Santa Catarina
A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira, 6 de setembro, uma operação de grande impacto contra uma organização criminosa especializada em tráfico de pessoas para fins de exploração sexual no Sul do Brasil. A ação, batizada de Operação Resgate, teve como alvo principal indivíduos suspeitos de recrutar mulheres da Argentina com falsas promessas de emprego em Santa Catarina, apenas para submetê-las a condições análogas à escravidão sexual.
Vítima argentina foi atraída com promessa de trabalho em restaurante
De acordo com as investigações, que se iniciaram em setembro de 2025 após uma denúncia formal, os agentes identificaram pelo menos uma mulher de nacionalidade argentina que foi aliciada de maneira sistemática. A vítima acreditava que iria trabalhar em um restaurante na região, mas, ao chegar ao Brasil, foi conduzida a uma casa noturna localizada em São Miguel do Oeste, município catarinense próximo à fronteira com a Argentina.
No depoimento prestado à Polícia Federal, a mulher relatou que uma aliciadora atuava como intermediária, apresentando ofertas de trabalho regulares que nunca se concretizavam. Em vez disso, ela foi forçada a se prostituir contra sua vontade, tornando-se mais uma vítima de um esquema que explorava mulheres em situação de vulnerabilidade social.
Violência e apreensões marcam a operação policial
A vítima ainda afirmou ter sofrido agressões físicas por parte do proprietário do estabelecimento, fato que foi posteriormente confirmado por um exame pericial realizado no Instituto Médico Legal (IML). As buscas realizadas em dois endereços no município resultaram na apreensão de diversos materiais, incluindo documentos, celulares e computadores, que serão minuciosamente analisados pelos peritos para identificar outros possíveis envolvidos na rede criminosa.
Após a conclusão dos procedimentos legais, a Polícia Federal adotou todas as medidas necessárias para garantir o retorno seguro da vítima à Argentina, assegurando sua integridade física e psicológica. A operação contou com o apoio fundamental da Polícia Civil de Santa Catarina, que colaborou ativamente nas diligências e no cumprimento dos mandados judiciais.
Esquema criminoso aproveitava vulnerabilidade social
O modus operandi da organização explorava a vulnerabilidade econômica e social das mulheres argentinas, seduzindo-as com a ilusão de oportunidades de emprego legítimas no Brasil. Uma vez recrutadas, elas eram transportadas para Santa Catarina, onde eram submetidas a condições degradantes e coercitivas, sem qualquer perspectiva de liberdade ou remuneração justa.
As investigações da PF revelaram que o esquema operava de forma organizada, com papéis bem definidos entre aliciadores, intermediários e exploradores. A casa noturna em São Miguel do Oeste funcionava como um centro de exploração, onde as vítimas eram mantidas sob constante vigilância e ameaças.
Este caso evidencia a urgência de políticas públicas mais eficazes no combate ao tráfico de pessoas, especialmente em regiões fronteiriças, onde a mobilidade internacional pode facilitar a ação de redes criminosas. A Polícia Federal reforça seu compromisso em erradicar tais práticas, garantindo justiça às vítimas e punição exemplar aos responsáveis.



