Polícia Civil do DF investiga sete novas mortes suspeitas no Hospital Anchieta
A Polícia Civil do Distrito Federal está investigando sete novas mortes que podem estar relacionadas aos três técnicos de enfermagem presos por suspeita de provocar óbitos de pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta. A informação foi confirmada à TV Globo por fontes diretamente ligadas às investigações, que ganharam novos contornos nesta semana.
Detalhes das novas investigações
Dos sete casos suspeitos que estão sendo minuciosamente analisados pelos investigadores, três já tiveram inquéritos abertos formalmente. Todas as mortes sob apuração ocorreram no ano passado, conforme dados levantados pela polícia. As famílias das vítimas prestaram depoimentos detalhados aos investigadores, relatando que se lembram dos técnicos de enfermagem suspeitos trabalhando nos leitos de UTI onde seus parentes faleceram.
Os depoimentos familiares expressam fortes suspeitas de que as mortes podem ter sido provocadas pelos profissionais atualmente presos. Além dos relatos das famílias, os investigadores estão realizando uma análise profunda dos prontuários médicos e dos últimos exames dos pacientes realizados no Instituto de Medicina Legal (IML).
Provas e obstáculos na investigação
A polícia solicitou formalmente ao Hospital Anchieta as imagens das câmeras de segurança da UTI correspondentes às datas dos casos suspeitos. Entretanto, o hospital informou que essas imagens já haviam sido apagadas do sistema, seguindo protocolos internos de armazenamento, o que representa um obstáculo significativo para as investigações.
Os três técnicos de enfermagem envolvidos são Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos; Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos; e Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos. Marcos Vinícius e Marcela Camilly estão presos temporariamente desde 12 de janeiro, enquanto Amanda Rodrigues foi presa três dias depois, em 15 de janeiro.
Desenvolvimentos recentes nos depoimentos
Na tarde desta terça-feira (3), as técnicas de enfermagem Marcela Camille e Amanda Rodrigues prestaram novos depoimentos ao Departamento de Polícia Especializada. Elas foram transferidas da Penitenciária da Colmeia para serem ouvidas por duas horas e meia, sempre acompanhadas por seus advogados. O técnico Marcos Vinícius já havia prestado novo depoimento na sexta-feira anterior.
A prisão temporária dos três profissionais foi prorrogada no mês passado e está programada para terminar no final da próxima semana, coincidindo com o prazo estabelecido para a polícia concluir o inquérito e encaminhá-lo ao Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT).
Posicionamento das defesas
Nesta quarta-feira (4), o advogado de Amanda Rodrigues afirmou que pediu a revogação da prisão, mas o pedido foi recusado na semana passada pela Justiça. Em nota oficial, a defesa de Marcela Camilly declarou veementemente a inocência da acusada, argumentando que ela via as injeções aplicadas pelo outro acusado como "um ato ordinário de rotina" em ambiente de UTI.
Os advogados de Marcela Camilly destacaram que ela "nunca se atentou ou sequer imaginou a possibilidade de que um crime pudesse estar sendo praticado" diante de seus olhos, especialmente considerando que este era seu primeiro emprego na área e ela estava em fase de treinamento.
Vítimas identificadas
Entre as vítimas já identificadas nas investigações estão:
- Miranilde Pereira da Silva, 75 anos — faleceu em 17 de novembro, seis dias após internação no Anchieta por constipação.
- João Clemente Pereira, 63 anos — servidor público da Caesb que também morreu em 17 de novembro, treze dias após internação por tontura causada por coágulo na cabeça.
- Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos — internado com dores abdominais e suspeita de pancreatite, faleceu em 1º de dezembro.
Confissões e métodos
O principal suspeito, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, inicialmente negou envolvimento, mas confessou os crimes em depoimento à Polícia Civil após ser confrontado com imagens das câmeras de segurança da unidade. Marcela Camilly também confessou sua participação.
Segundo as investigações, Marcos Vinícius injetava doses altas de medicamentos nos pacientes, utilizando o produto como veneno. Em uma das vítimas, ele também injetou desinfetante diretamente na veia. As mulheres são acusadas de participar dos crimes "dando cobertura" ao outro técnico durante os atos.
Posicionamento institucional
O Hospital Anchieta emitiu nota oficial afirmando que foi a própria instituição que identificou indícios de ilícitos e comunicou o caso às autoridades competentes. A instituição declarou que "permanece colaborando integralmente com as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Distrito Federal", atendendo todas as solicitações dentro dos prazos legais e apresentando integralmente as documentações e informações solicitadas.
O hospital destacou ainda seu compromisso com a transparência, com a apuração rigorosa dos fatos e com a segurança da assistência prestada aos pacientes, embora não comente detalhes específicos devido ao segredo de justiça que envolve o caso.



