A confirmação da segunda morte após a explosão provocada por uma obra da Sabesp no bairro do Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo, elevou para ao menos sete o número de vítimas fatais registradas desde 2025 em ocorrências envolvendo a Sabesp e a ViaMobilidade. Os casos incluem descargas elétricas, acidentes durante manutenção ferroviária e rompimento de estruturas.
Detalhes da explosão no Jaguaré
A explosão ocorreu na segunda-feira (11), quando uma obra da Sabesp atingiu uma tubulação de gás da Comgás. O acidente causou a morte de Francisco Albino e Alex Sandro Fernandes Nunes. Segundo o governo estadual, o número de imóveis interditados no local subiu de 20 para 27, após o aparecimento de novas rachaduras e danos estruturais. Desses, 22 precisarão passar por reformas e cinco foram condenados e deverão ser demolidos. Vídeos gravados por moradores mostram casas destruídas, vidros quebrados e prédios atingidos pela força da explosão. A Polícia Civil investiga o caso.
Outros acidentes envolvendo a Sabesp
Além das duas mortes no Jaguaré, outras ocorrências ligadas a obras e estruturas da Sabesp foram registradas nos últimos meses na Grande São Paulo. Em setembro de 2025, uma moradora morreu após uma tubulação da Sabesp cair sobre uma casa em Mauá, no ABC Paulista. Segundo testemunhas, a estrutura atingiu o imóvel durante uma obra. Já em março deste ano, o rompimento de uma caixa d’água da companhia destruiu casas em Mairiporã, na Grande São Paulo, resultando em uma morte. Moradores relataram momentos de desespero durante a enxurrada provocada pela força da água.
O secretário-geral do Sintaema, Edison Flores Lima Filho, atribuiu os acidentes ao aumento da terceirização e à redução do quadro de funcionários após a privatização da companhia. “Antes da privatização, nós estávamos com cerca de 15,5 mil trabalhadores. Hoje estamos com cerca de 8,3 mil de mão de obra direta”, afirmou. Segundo ele, houve perda de trabalhadores experientes e aumento da pressão sobre as equipes.
Posicionamento da Sabesp e da Arsesp
Questionada, a Sabesp afirmou que “não tolera qualquer descumprimento das regras de segurança do trabalho” e disse que atua “com rigor na apuração de cada caso”. No caso de Mauá, as apurações preliminares indicaram que a tubulação “se soltou durante o içamento” realizado por uma empresa terceirizada. A Sabesp rescindiu o contrato com a prestadora responsável. Sobre o caso de Mairiporã, a empresa disse que as causas ainda são investigadas e que acompanha o pagamento de indenizações. A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) informou que acompanha permanentemente os serviços prestados pela Sabesp e realizou mais de 1,1 mil ações fiscalizatórias desde a desestatização da companhia, em julho de 2024. Em 2024, a Sabesp recebeu 37 autuações, que somaram R$ 250,7 milhões em multas; em 2025, foram 15 autuações, no valor de R$ 232 milhões; e em 2026, 20 autuações, totalizando R$ 26 milhões. No acidente de Mauá, foi aplicada multa de R$ 155,7 mil. Em relação à explosão no Jaguaré, a Arsesp disse que equipes de fiscalização acompanham o caso.
Acidentes envolvendo a ViaMobilidade
A ViaMobilidade também registrou mortes em episódios ligados à operação e manutenção das linhas concedidas. Em maio de 2025, um passageiro, Lourivaldo Ferreira Nepomuceno, morreu na Linha 5-Lilás após ficar preso entre o vão e a porta da plataforma da estação Campo Limpo. Um ano após o caso, investigação conduzida pelo Metrô de São Paulo não detalhou possíveis falhas. O Metrô informou que “as medidas administrativas necessárias para a melhoria dos processos foram adotadas”. Em maio deste ano, um funcionário da ViaMobilidade morreu após sofrer uma descarga elétrica durante manutenção na Linha 9-Esmeralda. Outro caso ocorreu em novembro de 2025, quando um trabalhador morreu durante manutenção em um trem no pátio Presidente Altino, em Osasco.
O g1 procurou a ViaMobilidade na terça-feira (12) questionando os protocolos de segurança, mas a concessionária não respondeu até o fechamento da reportagem. Nesta semana, o Ministério Público instaurou um inquérito para investigar falhas recentes nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, incluindo a morte de um funcionário, um trem circulando com portas abertas e outros problemas operacionais. Este é o segundo inquérito aberto pelo MP desde o início da concessão, há quatro anos.
O que diz a Artesp
A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) informou que fiscaliza continuamente falhas, incidentes e acidentes de trabalho nos sistemas concedidos e solicita relatórios técnicos detalhados. Desde o início da concessão, em 2022, foram instaurados processos sancionatórios contra a ViaMobilidade que somam mais de R$ 200 milhões em penalidades. A Artesp afirmou que os contratos de concessão estabelecem obrigações específicas relacionadas à segurança dos trabalhadores e responsabilização da concessionária em caso de acidentes. A agência também informou que “toda a Linha 5-Lilás conta com portas de plataforma”.



