MP-AC investiga homenagem do Vasco-AC a jogadores presos por suspeita de estupro coletivo
O Ministério Público do Acre (MP-AC) anunciou que vai investigar a homenagem realizada pelo Vasco-AC a jogadores presos por suspeita de estupro coletivo em Rio Branco. Durante uma partida pela Copa do Brasil, na quinta-feira (19), o time acreano entrou em campo com camisas que estampavam os nomes de três dos quatro suspeitos, em um gesto que gerou ampla repercussão e críticas. A equipe acabou eliminada nos pênaltis pelo Velo Clube-SP, mas o foco agora está nas ações legais que se seguem.
Contexto do caso de estupro coletivo
Os jogadores Erick Luiz Serpa Santos Oliveira, Matheus Silva, Brian Peixoto Henrique Iliziario e Alex Pires Júnior, da Associação Desportiva Vasco da Gama (Vasco-AC), são investigados pelo estupro de duas mulheres dentro do alojamento do clube, na madrugada da última sexta-feira (13), em Rio Branco. O caso resultou na prisão em flagrante de Erick Serpa no sábado (14) e na decretação de prisão temporária dos outros três na terça-feira (17). Todos os acusados negam a prática do crime, mas as evidências têm mobilizado as autoridades.
Além de apurar a homenagem, o MP-AC também vai conduzir uma investigação própria sobre a denúncia de violência sexual, que, segundo as vítimas, ocorreu na última sexta-feira (13). O órgão vai analisar se houve possível omissão da justiça desportiva do estado, examinando se as instituições envolvidas agiram de forma adequada diante das alegações graves.
Repercussões e declarações polêmicas
O MP-AC informou que serão apuradas as declarações do técnico da equipe, Eric Rodrigues, exibidas em programas de TV locais após a repercussão do caso. Em uma nota, a secretária estadual da Mulher, Márdhia El-Shawwa, afirmou que as afirmações de Rodrigues desqualificam o trabalho da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e reforçam a culpabilização das vítimas, um aspecto que será minuciosamente investigado.
Em entrevista ao g1 na terça-feira (17), o treinador Eric Rodrigues disse que esta não foi a primeira vez que os jogadores levaram mulheres para o alojamento, comportamento proibido pelo time. "Você tá falando de homem, longe de casa, longe de família, longe de tudo. Essas mulheres invadem o alojamento [...] não foi uma nem duas não, tá?! Um monte, porque elas são Maria Chuteira [...] elas ficam alucinadas por causa dos moleques", complementou, em declarações que têm sido alvo de críticas por parte de defensores dos direitos das mulheres.
Andamento das investigações e medidas legais
Para dar sequência à investigação, o MP-AC solicitou a coleta de imagens, registros e documentos da partida relacionada ao caso, e também pediu à Deam o compartilhamento do inquérito policial. O órgão deu prazo de dez dias para resposta dos órgãos acionados, indicando uma ação rápida e determinada para esclarecer os fatos.
Os jogadores Erick Luiz Serpa Santos Oliveira, Matheus Silva, Brian Peixoto Henrique Iliziario e Alex Pires Júnior são investigados pelo estupro de duas mulheres na noite da última sexta-feira (13), na capital acreana. Erick Serpa está preso preventivamente desde domingo (15), enquanto os outros se apresentaram à polícia na terça-feira (17). Nesta quarta-feira (18), Alex Pires Júnior (Lekinho), Matheus Silva e Brian Peixoto Henrique Iliziario tiveram a prisão temporária mantida na audiência de custódia e devem ficar detidos por até 40 dias no Complexo Prisional de Rio Branco.
Posicionamento do Vasco-AC e detalhes do caso
Em nota anterior, o Vasco-AC afirmou que não compactua com qualquer forma de violência e que adotará as medidas cabíveis no âmbito interno, conforme o andamento das investigações. O caso foi registrado na Deam no sábado (14), com o delegado Alcino Souza, que estava de plantão, informando que encontrou as vítimas na Maternidade Bárbara Heliodora. Segundo ele, as mulheres haviam procurado a delegacia pela manhã, mas não conseguiram formalizar a ocorrência naquele momento e foram encaminhadas para atendimento médico.
As vítimas relataram medo de retaliação e foram orientadas por uma assistente social a registrar a denúncia. "Indicaram os nomes, o local que poderiam estar, que é o alojamento. Eu reuni uma equipe e fomos até o local. É uma casa bem grande, onde ficam vários jogadores, e lá conduzi o Erick Serpa para a delegacia. Os outros não estavam", afirmou o delegado. A polícia acrescentou que as mulheres foram ao alojamento para se relacionar de forma consensual com os jogadores, mas teriam sido submetidas aos abusos posteriormente, um detalhe que está sob análise minuciosa.
Este caso tem levantado questões importantes sobre a cultura esportiva, a responsabilidade dos clubes e a proteção às vítimas de violência sexual, com o MP-AC atuando para garantir que a justiça seja feita em todos os aspectos envolvidos.