Morte de tatuador em Nuporanga: investigação aguarda depoimentos e imagens
Morte de tatuador em Nuporanga: investigação em andamento

Morte de tatuador em Nuporanga: investigação depende de depoimentos e mais imagens

A morte do tatuador Vitor Fonseca de Almeida Silva, de 42 anos, após uma agressão durante o carnaval em Nuporanga (SP), gerou comoção na cidade de 7,3 mil habitantes da região de Ribeirão Preto. Após a apresentação do suspeito, Vitor Manoel Gomes de Jesus, de 25 anos, identificado como o agressor, a Polícia Civil ampliou as investigações para outras circunstâncias em torno do caso.

Detalhes do incidente e investigações iniciais

O delegado Clodoaldo Vieira Delgado está à frente das investigações e analisa uma denúncia feita pelo próprio suspeito, que alega ter agredido o tatuador porque ele estaria importunando menores de idade. As primeiras imagens de câmeras de segurança já foram recebidas pela polícia, mas o trabalho está apenas no início, conforme destacou o chefe das investigações.

"A nossa primeira atividade nessa investigação será a análise criteriosa das imagens para a formalização dos depoimentos", afirmou o delegado em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo.

Quem era a vítima e o que aconteceu?

Vitor Fonseca era um tatuador de Ribeirão Preto que visitava familiares e amigos em Nuporanga durante o feriado. Na madrugada de domingo, 15 de fevereiro, ele foi atingido por um soco, caiu e bateu a parte de trás da cabeça no meio-fio. O traumatismo craniano resultante levou à sua transferência para a Santa Casa de Franca, onde ele não resistiu aos ferimentos e faleceu na terça-feira, 17 de fevereiro.

Identificação do agressor e sua versão

O suspeito, Vitor Manoel, trabalha como churrasqueiro e não possui passagens criminais anteriores. Ele se apresentou espontaneamente acompanhado por advogados, prestou depoimento e foi liberado devido a residência fixa, família constituída e colaboração com as autoridades. Em seu depoimento, ele alegou que viu o tatuador importunando uma criança e decidiu confrontá-lo, resultando no soco após um comentário ofensivo da vítima.

A defesa classifica o caso como uma "infeliz fatalidade" e afirma que não houve intenção de matar, destacando que familiares do agressor acionaram a ambulância e ele permaneceu no local até a chegada do socorro.

Análise das imagens e próximos passos

As imagens de segurança mostram o tatuador caminhando próximo a um grupo de menores, com a esposa do agressor afastando uma criança antes do confronto. A Polícia Civil identificou cerca de dez pessoas presentes que serão ouvidas formalmente, além de buscar mais imagens de câmeras de estabelecimentos vizinhos.

"A gente conseguiu uma imagem, mas de uma câmera bem distante. Os demais arquivos a gente está aguardando ainda o envio oficial por parte da Prefeitura e dos demais prédios vizinhos ali, estabelecimentos comerciais colaboradores", explicou o delegado.

Impacto da alegação de importunação e reação da família

A confirmação ou não da importunação será crucial para avaliar circunstâncias subjetivas do caso, influenciando a aplicação de penalidades pela Justiça. A família do tatuador manifestou indignação com a divulgação do depoimento do agressor, criticando acusações contra a vítima.

Em nota, a família afirmou: "A interpretação isolada de imagens sem som não pode servir de prova para acusações contra a honra da vítima. Absolutamente nada atenua ou justifica a violência praticada, sob pena de se normalizar a inaceitável ideia de que alguém pode fazer justiça pelas próprias mãos".

Conclusão e perspectivas futuras

A investigação continua ativa, com a Polícia Civil focada em coletar depoimentos e analisar imagens adicionais para esclarecer todos os aspectos do caso. A Justiça também pode solicitar um depoimento especial da criança supostamente envolvida, acompanhado por psicólogos, para garantir uma avaliação adequada.