Justiça retém valores de show de Nego Di para pagar dívida judicial em SC
Justiça retém valores de show de Nego Di para pagar dívida

Justiça determina retenção de valores de show de Nego Di para quitar dívida judicial

A Justiça do Rio Grande do Sul tomou uma medida drástica contra o influenciador e humorista Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como Nego Di, de 31 anos. O 5º Juizado Especial Cível de Porto Alegre determinou na segunda-feira (2) a retenção de até R$ 7.266,40 da venda de ingressos do show "Diário Di um ex detento", marcado para 14 de março em Biguaçu, Santa Catarina.

Medida busca garantir pagamento de dívida em fase de execução

A plataforma Pensa no Evento foi notificada judicialmente para reservar e reter os valores arrecadados com a bilheteria do espetáculo de stand-up, até o limite estabelecido no processo. Segundo despachos do caso, a medida foi adotada após outras tentativas frustradas de satisfação do crédito.

Antes desta decisão, houve uma tentativa de bloqueio via Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud) contra a empresa Casa Dus Guris Comércio de Bebidas Ltda., da qual o humorista era sócio, mas sem resultado integral. O bar "Casa dus Guri" encerrou as atividades meses após o início dos problemas judiciais envolvendo Nego Di.

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Histórico de bloqueios parciais e penhoras

Em 29 de agosto de 2025, o processo registrou um bloqueio parcial de R$ 1.641,79 nas contas da empresa, valor considerado insuficiente para quitar a execução. Posteriormente, em janeiro de 2026, o juízo deferiu a penhora no rosto dos autos de outro processo, até o valor atualizado de R$ 7.266,40.

O g1 entrou em contato com a defesa de Nego Di, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Este caso representa apenas mais um capítulo na extensa trajetória judicial do influenciador.

Múltiplos processos criminais envolvem o humorista

Desde 2022, Nego Di responde a diversos processos por acusações que incluem:

  • Estelionato
  • Lavagem de dinheiro
  • Uso de documento falso
  • Promoção de loteria ilegal

Dilson recebeu liberdade provisória em novembro de 2024, após 130 dias preso na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan). Após a soltura, passou a cumprir medidas cautelares como proibição de uso de redes sociais, entrega de passaporte e comparecimento periódico em juízo.

Caso Tadizuera: condenação e novos processos

Entre março e julho de 2022, Nego Di e seu sócio Anderson Boneti teriam lesado mais de 370 pessoas através da loja virtual Tá Di Zueira, causando prejuízo estimado em R$ 5 milhões segundo a Polícia Civil e o Ministério Público.

Em junho de 2025, ambos foram condenados em primeira instância a 11 anos e 8 meses de prisão em regime fechado por estelionato neste caso. A prisão, no entanto, só será efetivada após o trânsito em julgado da decisão.

Em outubro de 2025, a 29ª Promotoria de Justiça Criminal de Porto Alegre tornou o humorista e seu sócio réus em mais uma ação penal por estelionato. Anderson Boneti encontra-se preso por outro processo envolvendo a loja.

Outras controvérsias e apreensões

O histórico judicial de Nego Di inclui ainda:

  1. Em maio de 2024, o Tribunal de Justiça do RS determinou que apagasse publicações com fake news sobre enchentes em Canoas e Porto Alegre, sob pena de multa de R$ 100 mil.
  2. Em fevereiro de 2025, virou réu por fraude em rifa virtual de Porsche avaliado em mais de R$ 500 mil.
  3. Em agosto de 2025, dois veículos de luxo (RAM Classic Laramie e Range Rover Velar) foram apreendidos e a Justiça determinou seu leilão. Os bens estão avaliados em R$ 508.851,90.

A esposa do influenciador, Gabriela Vicente de Sousa, também foi denunciada e virou ré por lavagem de dinheiro dentro do esquema da rifa fraudulenta.

A retenção dos valores do show em Biguaçu representa mais um capítulo na complexa relação entre Nego Di e o sistema judiciário, que vem se estendendo por anos com múltiplas frentes processuais e medidas cautelares.

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