Júri popular é cancelado após ex-policial militar ameaçar decapitar juíza e jurados durante audiência
A Justiça de São Paulo determinou a anulação do júri popular do ex-policial militar Eduardo José de Andrade, de 24 anos, após o réu fazer graves ameaças de morte contra a juíza responsável pelo caso e contra os membros do tribunal do júri. O episódio ocorreu durante sessão realizada por meio de videoconferência na última quinta-feira (12), na comarca de São José do Rio Preto, no interior paulista.
Confissão e ameaças explícitas durante o interrogatório
Durante a audiência, Eduardo confessou com detalhes o assassinato a tiros de Tiago de Paula, de 32 anos, ocorrido em Cedral (SP) em novembro de 2022. "Eu matei, não me arrependo. Quando eu sair para a rua, vou continuar matando", declarou o acusado de forma contundente durante seu interrogatório.
Em seguida, o ex-policial militar direcionou ameaças específicas contra a juíza Gláucia e contra os sete jurados presentes na sessão - três homens e quatro mulheres. "Eu vou cortar a cabeça de um por um e vou mandar na casa deles no dia em que eu sair daqui. Eu vou cortar a cabeça da doutora Gláucia porque eu tenho autorização para isso", afirmou Eduardo de maneira intimidatória.
Interrupção imediata do julgamento
Diante das graves ameaças proferidas pelo réu, a magistrada responsável pelo caso imediatamente interrompeu a sessão e questionou os jurados se ainda se sentiam em condições de continuar o julgamento ou se estavam se sentindo ameaçados. O primeiro jurado consultado respondeu prontamente que não se considerava apto a prosseguir com as atividades do tribunal.
Com essa manifestação, a juíza determinou a anulação completa do júri popular, sem estabelecer uma nova data para a realização de outro julgamento. Atualmente, Eduardo responde ao processo em regime de prisão preventiva, custodiado no Centro de Detenção Provisória Guarulhos II.
Contexto criminal do acusado
Segundo a sentença de pronúncia emitida em junho do ano passado, Eduardo José de Andrade foi denunciado por homicídio qualificado por motivo fútil e por ter utilizado recurso que dificultou a defesa da vítima. No momento do crime contra Tiago de Paula, o acusado estava de folga da Polícia Militar, mas utilizou uma arma da corporação para executar a vítima, que estava sentada na calçada em frente à própria residência, com pelo menos sete disparos.
Além deste processo, o ex-policial militar já havia sido condenado em fevereiro de 2025 a 29 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato de João Gonçalves Filho, de 39 anos, ocorrido em dezembro de 2022 também em Cedral. Nesse caso, a investigação apontou que Eduardo foi o mandante do crime, motivado por uma dívida relacionada a drogas, e contou com a participação de Pierre Henrique de Souza.
Histórico criminal e consequências profissionais
O histórico criminal de Eduardo José de Andrade inclui ainda condenação anterior por tráfico de drogas. Com a sentença que o condenou a 29 anos de prisão, a Justiça determinou a perda definitiva do cargo de policial militar e, consequentemente, de todas as funções públicas que exercia anteriormente.
A polícia descobriu a ossada da vítima João Gonçalves Filho apenas quatro meses após seu desaparecimento, em abril de 2023. O crime foi classificado como homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e por recurso que dificultou a defesa da vítima, além de ocultação de cadáver.
O caso segue sob análise do Poder Judiciário, que deverá marcar nova data para a realização do júri popular, considerando as graves circunstâncias que levaram ao cancelamento da sessão anterior.