Imagens do celular de Daiane Alves provam que síndico planejou assassinato
Imagens do celular provam que síndico planejou assassinato

Imagens recuperadas do celular de Daiane Alves provam que síndico planejou morte

O síndico suspeito de assassinar a corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, apresentou à Polícia Civil uma versão de que a vítima teria sido atingida por um disparo acidental durante uma luta corporal. No entanto, as investigações revelaram contradições gritantes que apontam para um crime premeditado.

Versão do acusado é desmentida por evidências

Cléber Rosa de Oliveira, de 49 anos, preso no dia 28 de janeiro, afirmou aos investigadores que não soube precisar quem efetuou o disparo durante uma suposta briga. “Ele declarou que já portava essa arma, então ela, por ser uma lutadora de jiu-jitsu, teria conseguido tomar a arma, o objeto caiu e, a quatro mãos, termos utilizados por ele, ocorreu o disparo que ele não recordava”, explicou o delegado André Luiz.

Inicialmente, como o crime ocorrido no dia 17 de dezembro de 2025 no prédio onde Daiane residia, em Caldas Novas, não contava com testemunhas ou imagens, as investigações partiram do depoimento de Cléber. Porém, o uso do produto luminol para identificar manchas de sangue no local do suposto tiro mostrou inconsistências.

“O luminol revelou pouco sangue, incompatível com um possível tiro na cabeça. A perícia do disparo demonstrou claramente que qualquer disparo dado no subsolo seria plenamente ouvido na recepção”, destacou o delegado.

Celular da vítima revela gravação crucial

O celular de Daiane, jogado em uma caixa de esgoto após o ataque, foi recuperado pela polícia apenas 41 dias depois, no dia 30 de janeiro. O aparelho continha uma gravação que mostra o momento em que a corretora é surpreendida pelo síndico.

No vídeo, Daiane segue para o subsolo para verificar o padrão de energia de seu apartamento, que acreditava estar desligado. Ao encontrar Cléber, ela comenta: “Olha quem eu encontro. Acabou de perder minha energia no 402. Vamos ver se essa brincadeira está continuando”. Pouco depois, ao localizar o disjuntor, ela é atacada e a gravação é interrompida.

Embora Daiane costumasse enviar vídeos sobre quedas de energia para uma amiga, a filmagem do ataque não foi transmitida. O síndico, já preso, indicou o local onde o celular estava escondido.

Perícia contradiz versão de único disparo

Cléber também alegou que Daiane foi morta com apenas um tiro na cabeça. Contudo, a perícia do Instituto Médico Legal (IML) constatou que a vítima sofreu dois disparos, tornando a narrativa do acusado incompatível com as evidências.

De acordo com a Polícia Civil, Cléber deve responder por homicídio triplamente qualificado, incluindo motivação torpe, meio cruel e emboscada, além de ocultação de cadáver.

Conflitos anteriores motivaram o crime

As brigas entre o síndico e a corretora começaram após ele perder a administração de seis apartamentos da família de Daiane. Uma câmera de segurança registrou uma discussão entre eles em fevereiro de 2025, onde Daiane acusa Cléber de agressão.

O delegado André Luiz afirmou que esses atritos motivaram o crime. A família da vítima revelou que Cléber responde a 12 processos envolvendo Daiane, incluindo uma denúncia do Ministério Público de Goiás por perseguição (stalking) com agravante de abuso de função, já que ele era síndico do local onde ela residia.

Em nota, a defesa de Cléber informou que ainda não teve acesso a todos os documentos da investigação, principalmente ao relatório final, e se manifestará apenas após análise completa do conteúdo.