Dois presos morrem em celas diferentes na Cadeia Pública de Ceará-Mirim, RN
A Cadeia Pública de Ceará-Mirim, localizada na Grande Natal, foi palco de dois óbitos de detentos nesta quarta-feira, dia 18. As mortes ocorreram em celas distintas e, conforme informações preliminares da Polícia Penal, não apresentam relação direta entre si. As investigações iniciais apontam para um caso de homicídio e outro de possível suicídio, levantando questões sobre a segurança e a gestão do sistema prisional na região.
Primeiro caso: homicídio por asfixia em cela compartilhada
O primeiro incidente foi registrado por volta das 8h da manhã, quando um policial penal de plantão encontrou o interno Tomaz Gleydson Dantas desacordado dentro de sua cela. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado imediatamente, mas confirmou o óbito no local. Segundo relatos, outro preso que dividia a cela com Tomaz admitiu ter entrado em uma luta corporal com a vítima, resultando em sua asfixia durante a troca de agressões.
O agressor alegou legítima defesa durante os depoimentos, afirmando que as desavenças entre os dois já eram anteriores ao episódio fatal. A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) esclareceu que essa situação de conflito não era de conhecimento da direção da unidade prisional, o que levanta dúvidas sobre os mecanismos de monitoramento e prevenção de violência dentro do presídio. O detento envolvido foi conduzido à cela de triagem e permanece à disposição da Justiça, aguardando as próximas etapas do processo legal.
Segundo caso: possível suicídio em cela de isolamento
Já no período da tarde, por volta das 15h, policiais penais localizaram o interno Geovane Barbosa Batista de Freitas morto na cela de isolamento. De acordo com a Polícia Penal, ele foi encontrado enforcado com um lençol, indicando um possível ato de suicídio. A direção da unidade informou que o preso estava em cela individual a pedido próprio, sob a justificativa de que não tinha convivência adequada com os demais custodiados.
A administração do presídio destacou que não houve qualquer tipo de insubordinação ou alteração significativa na disciplina da unidade durante o ocorrido. Após a realização das perícias necessárias, a rotina do local foi retomada normalmente, mas o episódio levanta preocupações sobre a saúde mental e o suporte psicológico oferecido aos detentos em regime de isolamento.
Investigações em andamento e próximos passos
A Polícia Penal já acionou a Polícia Civil e a Polícia Científica para a realização de trabalhos detalhados de investigação e perícia, visando esclarecer as circunstâncias exatas de ambas as mortes. Essas ações são cruciais para determinar responsabilidades e implementar medidas preventivas futuras, especialmente em um contexto onde a superlotação e a violência são desafios recorrentes no sistema carcerário brasileiro.
Os casos reforçam a necessidade de uma revisão das políticas de segurança e assistência nas unidades prisionais do Rio Grande do Norte, com foco em melhorar a vigilância, a mediação de conflitos e o atendimento à saúde mental dos presos. A comunidade local e as autoridades seguem atentas aos desdobramentos das investigações, que podem impactar diretamente a gestão penitenciária na região.