Câmeras de segurança revelam movimentação atípica de veículos na residência de família desaparecida no Rio Grande do Sul
A perícia nas imagens das câmeras de segurança da casa de Silvana Germann de Aguiar, desaparecida há quatro semanas no Rio Grande do Sul, foi concluída, trazendo novas informações sobre o caso. As gravações mostram uma movimentação suspeita de veículos no dia do desaparecimento, ocorrido em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Silvana, juntamente com seus pais, Isail Vieira de Aguiar e Dalmira Germann de Aguiar, não são vistos desde os dias 24 e 25 de janeiro, desencadeando uma extensa investigação policial.
Detalhes das imagens captadas pelas câmeras de vigilância
A Polícia Civil confirmou, na sexta-feira, dia 20 de fevereiro, que o mesmo carro, identificado como um Fox, entrou duas vezes na residência durante a noite do desaparecimento. Contudo, não foi possível identificar a placa do veículo, deixando em aberto a identidade do proprietário. O vídeo mostra, inicialmente, a entrada de um carro vermelho no portão da casa às 20h34 do dia 24 de janeiro. O automóvel permanece no local por aproximadamente oito minutos antes de partir.
Uma hora depois, o veículo branco pertencente a Silvana entra na mesma área, mas não é registrado saindo do local. Mais tarde, por volta das 23h30, o Fox retorna, fica estacionado por cerca de doze minutos e, em seguida, deixa a residência. Essas movimentações têm sido analisadas minuciosamente pelos peritos, que buscam pistas sobre o paradeiro da família.
Material genético encontrado na casa aponta para presença de desconhecidos
Outra conclusão significativa da perícia é a descoberta de material genético na casa de Silvana, pertencente a um homem e uma mulher ainda não identificados. O material do homem foi coletado no pátio da residência, enquanto o da mulher foi encontrado na pia do banheiro. As análises em andamento visam confirmar o DNA e determinar se os vestígios são de pessoas externas ou dos próprios desaparecidos, o que poderia esclarecer aspectos cruciais do caso.
Policial militar suspeito presta novo depoimento em silêncio
O policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-marido de Silvana e atualmente preso temporariamente por suspeita de envolvimento no desaparecimento, prestou um novo depoimento à polícia na sexta-feira. De acordo com sua defesa, representada pelo advogado Jeverson Barcellos, Cristiano optou por permanecer em silêncio durante a sessão, que durou cerca de uma hora e meia. Barcellos afirmou que seu cliente tem colaborado com as investigações e que as provas apresentadas até o momento são consideradas circunstanciais.
Linha do tempo detalha os principais eventos da investigação
O caso tem se desdobrado em uma série de eventos desde antes do desaparecimento. Em 2 de janeiro, Silvana solicitou o contato do Conselho Tutelar em um grupo de mensagens, e em 9 de janeiro, ela compareceu ao órgão para registrar que seu ex-marido desrespeitava as restrições alimentares do filho do casal. No fim de semana dos desaparecimentos, em 24 de janeiro, Silvana foi vista pela última vez, com uma publicação em suas redes sociais alegando um acidente em Gramado que, segundo a polícia, nunca ocorreu.
No dia 25 de janeiro, os pais de Silvana saíram para procurá-la após serem alertados por vizinhos e tentaram registrar o desaparecimento em uma delegacia, que estava fechada. Eles seguiram para a residência do ex-genro, Cristiano, que afirmou em depoimento inicial que o casal pediu ajuda para a busca. Horas depois, os idosos foram vistos entrando em um carro não identificado e não foram mais localizados.
As investigações formais começaram em 27 e 28 de janeiro, com o registro das ocorrências de desaparecimento. Cristiano comunicou o sumiço de Silvana, e uma sobrinha informou sobre o desaparecimento dos idosos. Em 28 de janeiro, câmeras de segurança registraram o PM dentro da casa dos sogros, carregando mochilas, e ele alegou aos vizinhos que estava buscando ração para animais.
Em 1º de fevereiro, Cristiano enviou uma foto de dentro da casa dos sogros mostrando o veículo do casal, e em 3 de fevereiro, a polícia ouviu seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira, encontrando um projétil de arma de fogo no pátio. No dia 4 de fevereiro, a Polícia Civil confirmou que trata o caso como crime, descartando sequestro.
Perícias realizadas em 5 de fevereiro coletaram material na casa de Silvana, incluindo vestígios de sangue e material genético. Em 7 de fevereiro, o celular de Silvana foi localizado escondido em um terreno baldio, e em 10 de fevereiro, Cristiano foi preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar movimentação suspeita. Familiares e amigos realizaram um protesto em Cachoeirinha pedindo solução para o caso.
Em 18 de fevereiro, a polícia confirmou que o sangue encontrado na casa é humano, com amostras encaminhadas para análise genética. No dia 20 de fevereiro, Cristiano prestou depoimento em silêncio, e seu irmão também foi ouvido na delegacia, marcando mais um capítulo nesta investigação complexa que continua a mobilizar autoridades e a comunidade local.