Casal é condenado a 65 anos por assassinato em casa de massagem em Fortaleza
Casal condenado a 65 anos por morte em casa de massagem

Casal é condenado a 65 anos de prisão por assassinato em casa de massagem em Fortaleza

O Tribunal do Júri de Fortaleza condenou nesta quinta-feira, 19 de fevereiro de 2025, Claudineia de Menezes Oliveira, de 43 anos, e Fernando Kennedy de Oliveira Silva, de 32 anos, pelo assassinato de Lucélia Santos da Silva, de 46 anos, ocorrido dentro de uma casa de massagem na capital cearense. As penas combinadas dos dois réus totalizam impressionantes 65 anos de reclusão, com Claudineia recebendo 36 anos e quatro meses e Fernando sendo sentenciado a 29 anos e quatro meses de prisão.

Detalhes do crime que chocou Fortaleza

O crime violento aconteceu no dia 13 de fevereiro de 2025 e foi completamente registrado por câmeras de segurança do estabelecimento, que oferecia serviços de cunho sexual. De acordo com as investigações conduzidas pela polícia, o ataque à casa de massagem foi meticulosamente planejado após o rompimento de uma sociedade empresarial entre Claudineia e a filha de Lucélia, que administrava o local.

Curiosamente, o verdadeiro alvo do ataque era a filha de Lucélia, mas durante a confusão e fuga da administradora, Lucélia acabou sendo baleada mortalmente por Fernando Kennedy. Testemunhas presentes no local relataram à polícia que Fernando chegou à residência se passando por cliente interessado em serviços sexuais, sendo recebido por Lucélia que o levou até uma sala para ver as profissionais.

Execução do plano criminoso e fuga

Ao entrar no imóvel, Fernando anunciou um assalto, rendeu as mulheres com uma arma de fogo e amarrou suas mãos com abraçadeiras plásticas. Quando a filha de Lucélia reconheceu Fernando como "irmão de coração" da ex-sócia Claudineia - que anteriormente a havia ameaçado de morte - aproveitou um momento de distração para fugir correndo pelo portão que havia sido deixado aberto.

Fernando tentou perseguir a mulher, mas Lucélia interveio, suplicando para que não matasse sua filha. Nesse exato momento trágico, Lucélia foi morta a tiros pelo suspeito, que posteriormente fugiu a pé do local do crime. O casal de acusados foi preso na cidade de Beberibe, aproximadamente 80 quilômetros distante de Fortaleza, quando tentavam fugir em direção ao Rio Grande do Norte.

Motivação por trás do crime violento

Durante os depoimentos e investigações, descobriu-se que a filha de Lucélia já foi sócia de Claudineia em uma casa de massagem em Maceió. A sociedade foi desfeita porque Claudineia desejava utilizar o estabelecimento como ponto de tráfico de drogas, proposta que foi rejeitada pela filha de Lucélia, que então vendeu sua parte no negócio.

Essa venda criou problemas significativos para Claudineia, pois a pessoa que comprou a parte era casada com uma advogada, impedindo que a suspeita utilizasse o local para atividades ilícitas de tráfico. Desde então, Claudineia alegava que a vítima lhe devia dinheiro por não ter repassado a sociedade diretamente para ela, embora durante seu depoimento tenha admitido conhecer mãe e filha e afirmado que já havia perdoado uma suposta dívida de R$ 2 mil.

Condenação e recursos judiciais

A 2ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza considerou Claudineia e Fernando culpados pelos crimes de homicídio consumado e tentado duplamente qualificados - por motivo torpe e impossibilidade de defesa das vítimas - além do crime de uso de documento falso no caso específico de Claudineia. Claudineia foi apontada como mandante do crime, enquanto Fernando atuou como executor.

Ambos os condenados deverão cumprir as penas em regime inicialmente fechado. Por meio de nota oficial, a defesa de Claudineia e Fernando manifestou profundo pesar pela condenação e anunciou a intenção de recorrer da decisão judicial. Os advogados Fábio Emanoel e Mikael Borges afirmaram que, embora reconheçam a soberania dos veredictos, discordam do resultado do julgamento por entenderem que a decisão não encontra amparo suficiente no conjunto probatório dos autos.

A defesa reafirmou sua confiança no Poder Judiciário e informou que adotará todas as medidas legais cabíveis para que a decisão seja revista pelas instâncias superiores, na constante busca pela plena realização da justiça. Este caso continua a chamar atenção para a violência urbana em Fortaleza e a complexidade dos crimes passionais envolvendo relações comerciais rompidas.