Agente da Polícia Federal é presa após cometer injúria racial em bloco de Carnaval na capital federal
Um episódio de violência e racismo marcou as comemorações carnavalescas em Brasília nesta segunda-feira (16), resultando na prisão em flagrante de uma agente da Polícia Federal. Rodrigo Martins, vítima das agressões, registrou ocorrência na 5ª Delegacia de Polícia da Asa Norte após ser insultado racialmente durante o bloco "Concentra Mas Não Sai", realizado no estacionamento do Minas Tênis Clube, no Setor de Clubes Norte.
Confusão começou com discussão sobre passagem no meio da roda
Por volta das 18 horas, Rodrigo estava acompanhado de familiares e amigos em uma roda de conversa quando a situação se tornou tensa. Segundo seu relato à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), uma mulher identificada como Renata Nery Ribeiro tentou passar pelo meio do grupo, sendo orientada por ele a desviar o caminho devido à dificuldade de passagem. A negativa da mulher em aceitar a solicitação deu início ao conflito.
"Ela agrediu um idoso primeiro, pisando nele e quase derrubando-o da cadeira. Minha esposa e a esposa dele tentaram segurá-la. Quando eu disse: 'Senhora, não dá para passar por aí', ela virou e começou a me chamar de macaco, de bicho, soltando uma série de xingamentos", descreveu Rodrigo Martins em seu depoimento, acrescentando que diversas testemunhas presenciaram toda a cena.
Encontro com policiais e encaminhamento para delegacia
Após o incidente inicial, Rodrigo decidiu deixar o local com sua família, mas encontrou a mesma mulher conversando com policiais que faziam a segurança do evento. Foi então que ele se aproximou para relatar sua versão dos fatos, resultando no encaminhamento de ambos para a delegacia mais próxima.
Na 5ª Delegacia de Polícia, foi registrado o boletim de ocorrência detalhando as agressões físicas e verbais sofridas por Rodrigo, com ênfase nos insultos racistas proferidos pela suspeita. Renata Nery Ribeiro foi presa em flagrante pelo crime de injúria racial e permanece detida, aguardando audiência de custódia para definição das medidas cautelares.
Polícia Federal analisará os fatos internamente
Em nota oficial, a Polícia Federal informou que tomará conhecimento do caso e que os fatos serão analisados pelas instâncias competentes da corporação. A instituição ressaltou que apurações internas serão realizadas para verificar a conduta da agente, que agora responde tanto na esfera criminal quanto administrativa.
O caso reacende o debate sobre discriminação racial em espaços públicos e eventos de grande concentração, especialmente durante o período carnavalesco, quando milhões de brasileiros ocupam as ruas em celebração. Autoridades de segurança pública têm reforçado a importância de denúncias imediatas em situações similares, garantindo que atos de racismo sejam devidamente punidos conforme a legislação brasileira.