A fábrica de móveis planejados Planearte, localizada em Ribeirão Preto (SP), está no centro de uma série de reclamações de clientes e ex-funcionários. A empresa, que atua há cerca de 15 anos no mercado, é acusada de não entregar projetos pagos antecipadamente, alguns no valor de mais de R$ 100 mil, e de encerrar as atividades sem dar satisfações. Além disso, a Planearte acumula dívidas trabalhistas, com salários atrasados e verbas rescisórias não pagas.
Problemas financeiros e demissões
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Civil de Ribeirão Preto e Região (Siticoncirp), a Planearte apresentou dificuldades financeiras desde o ano passado, resultando em atrasos salariais e demissões sem o devido acerto. O advogado do sindicato, Nelson Bonifácio Fernandes Pereira, afirma que os funcionários não receberam pelos dias trabalhados nem as verbas rescisórias, o que considera injusto, especialmente em um período de desemprego.
Uma funcionária, que preferiu não se identificar, relata que enfrentou problemas com salários atrasados e, com a paralisação da fábrica, teme não receber a licença-maternidade a que tem direito. "Eu preciso do dinheiro, preciso de um trabalho, porque ficar em casa cuidando da minha bebê sem receber um auxílio não dá", desabafa.
Acordo descumprido
Em março, após novas demissões, o sindicato firmou um acordo com os donos da Planearte para o pagamento das verbas rescisórias, FGTS e multas. No entanto, a empresa pagou apenas a primeira das seis parcelas e, desde o fim de abril, não houve mais contato. "Ele cumpriu com a primeira parcela e não cumpriu com as demais. Nos prometeu colocar em dia, mas depois não conseguimos mais contato", relata Pereira.
Diante do descumprimento, o sindicato orienta os trabalhadores a moverem ações individuais e pretende denunciar o caso ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e ao Ministério do Trabalho. "Para que possamos auxiliar no recebimento, pois todos os empregados estão prejudicados", afirma o advogado.
Clientes no prejuízo
Além das dívidas trabalhistas, a Planearte é alvo de queixas de clientes que pagaram antecipadamente por projetos de móveis planejados e não receberam os produtos. O advogado Luís Artur Mari Silvera, que pagou mais de R$ 42 mil para mobiliar um apartamento, relata desespero e raiva. "Passei por várias sensações: iniciou com desespero, aquele frio na barriga de estar sendo vítima dessa situação", conta.
As reclamações estão sendo levadas à Polícia Civil e à Justiça. A reportagem tentou contato com os responsáveis pela Planearte, mas não obteve resposta até a última atualização desta notícia.



