Estratégias da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) para 2026 começam a tomar forma, e um nome ganha destaque nos bastidores: o influenciador Pablo Marçal (PRTB). Aliados do senador, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, enxergam no empresário uma carta na manga para ampliar a base eleitoral, especialmente nas periferias, e dominar o debate nas redes sociais.
Aposta na capilaridade digital e no voto periférico
O cálculo dos estrategistas de Flávio Bolsonaro é claro. Pablo Marçal, com quase 13 milhões de seguidores apenas no Instagram, possui um império digital que pode entregar a tão desejada capilaridade online. Além disso, sua performance nas eleições de 2024 para a Prefeitura de São Paulo, onde conquistou 28% dos votos e venceu em boa parte da zona leste, incluindo o distrito de Vila Formosa com 34,59% dos votos, demonstra uma conexão com eleitores das periferias que o campo bolsonarista tradicional não conseguiu consolidar.
O empresário Filipe Sabará, que fez a ponte entre Flávio e Marçal e coordenou o plano de governo do influenciador em 2024, defende a aliança. Ele argumenta que o apoio reforça a adesão do público conservador e que Marçal pode ajudar o senador a conquistar espaço nas periferias através do discurso do empreendedorismo. "Tem muita gente conservadora nas periferias que vota na esquerda por causa de transferência de renda. Esse voto é muito interessante e importante", afirmou Sabará.
Riscos e rejeição: o outro lado da moeda
Porém, a parceria não é vista com bons olhos por todos os analistas. Marcelo Vitorino, professor de marketing político da ESPM, avalia que Marçal traz mais problemas do que soluções para a candidatura de Flávio. Ele argumenta que o influenciador dialoga com o mesmo público que o senador, e não ajuda a expandir a base.
O principal risco apontado é o aumento da rejeição. Uma pesquisa Genial/Quaest de dezembro de 2025 mostrou que 60% dos entrevistados não votariam em Flávio Bolsonaro. Associar-se a Marçal, figura conhecida por polêmicas e que terminou a eleição municipal inelegível, poderia afastar ainda mais o eleitorado de centro. "Marçal sabe muito bem usar os algoritmos para se projetar, mas também comete tropeços", disse Vitorino, sugerindo que o uso do influenciador deveria ser limitado e supervisionado.
Aproximação e a "chave da prosperidade"
A reaproximação entre Marçal e a família Bolsonaro, que já havia ocorrido em 2022, ganhou corpo no final do ano passado. Flávio visitou a sede da empresa do influenciador em Alphaville, após um encontro com empresários em São Paulo. O episódio, descrito como uma visita à "meca" de Marçal, rendeu cenas de comoção e já influenciou o vocabulário do senador.
Em entrevista, Flávio Bolsonaro repetiu expressões típicas do influenciador, falando sobre o desejo de "virar a chave da prosperidade na cabeça do povo brasileiro", em referência à necessidade de mudar a mentalidade sobre programas de transferência de renda. O senador também agradeceu a recepção calorosa e revelou que Marçal abriu o palco para ele durante uma palestra, onde a plateia o ovacionou de pé.
Cenário de fragmentação na direita
A movimentação em torno de Flávio Bolsonaro ocorre em um contexto de possível fragmentação da oposição ao presidente Lula (PT) no primeiro turno das eleições de 2026. Enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), indica que não será candidato para apoiar Flávio, outros nomes como os governadores Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (União Brasil) e Ratinho Jr. (PSD) sinalizam ou ganham força como alternativas.
A aliança com Pablo Marçal, portanto, é uma das primeiras jogadas de um tabuleiro eleitoral complexo. Se, por um lado, promete acesso a um exército digital e a nichos eleitorais específicos, por outro, carrega o peso da rejeição e do histórico polêmico do influenciador. O desafio de Flávio Bolsonaro será equilibrar essas forças para tentar se tornar uma opção viável além do núcleo duro do bolsonarismo.