Agentes de IA: por que você terá um assistente digital pessoal em breve
Agentes de IA: assistentes digitais para o dia a dia

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta para responder perguntas e deu um salto significativo. O mundo agora ingressou na era dos agentes de IA, programas capazes de receber um objetivo e executar uma série de tarefas digitais de forma autônoma. Essa tecnologia, antes mais associada ao ambiente corporativo, começa a ganhar força na rotina pessoal das pessoas, prometendo uma transformação profunda no cotidiano.

O que são agentes de IA e como funcionam?

Diferente dos chatbots conhecidos, como ChatGPT ou Gemini, que primariamente respondem a consultas, os agentes de IA vão além. Eles são capazes de acessar ferramentas, cruzar informações de diferentes fontes e realizar ações em sequência para cumprir uma meta. Na prática, atuam como assistentes digitais que operam nos bastidores, sempre seguindo regras e parâmetros definidos por humanos.

Adriano Picchi Neves, presidente da Avanade Brasil, empresa que acompanha de perto essa evolução, define esses agentes como algoritmos que, “quase como se fossem pessoas, executam uma atividade ou processo inteiro no seu lugar”. O usuário estabelece as diretrizes, e o agente se encarrega de executar parte ou a totalidade do processo.

Os três motivos para ter um agente pessoal

Em entrevista, Neves detalha os principais benefícios que levarão as pessoas a adotarem um assistente digital pessoal num futuro próximo. O primeiro e mais evidente é a economia de tempo. Agentes podem assumir tarefas operacionais repetitivas, como gestão de e-mail e agenda, pagamento de contas, conferência de documentos ou solicitação de reembolsos, liberando horas preciosas para a vida pessoal.

O segundo motivo é o potencial de aceleração do aprendizado. O agente pode funcionar como um tutor personalizado, ajudando o usuário a assimilar novas informações e se manter atualizado em um mundo de conhecimento em constante ebulição.

O terceiro pilar destacado por Neves é o incremento da criatividade. “Sou um defensor de que a IA permite ser mais criativo, desde que você saiba dosar”, afirma. A tecnologia ajuda a extrair e estruturar ideias, transformando um conceito vago em um projeto concreto para trabalho, uma viagem ou um evento em questão de minutos, conectando pontos que poderiam passar despercebidos.

Parceria, não delegação total: o equilíbrio necessário

Neves alerta para um erro comum no uso inicial da tecnologia: a tentação de delegar tudo. Ele mesmo relata uma experiência em que pediu para uma IA gerar um relatório financeiro importante e o enviou sem revisão adequada, descobrindo depois que os números estavam incorretos. “Foi um aprendizado: tudo o que é importante precisa ser revisado”, destaca.

A maturidade no uso, segundo ele, vem de uma atuação em parceria com a ferramenta. O processo ideal é colaborativo: o usuário faz um rascunho, pede para o agente revisar, lê o resultado, ajusta e solicita refinamentos. É um constante “vai e vem” que garante que o resultado final esteja alinhado com a intenção original.

O futuro: agentes múltiplos ou um super assistente?

Surge a questão sobre como será a convivência com essa tecnologia. As pessoas prefeririam a praticidade de um agente único e centralizado para todas as esferas da vida. No entanto, Neves acredita que, no âmbito corporativo, a separação entre ambientes profissional e pessoal será necessária por questões de governança, segurança e privacidade de dados.

No lado pessoal, a tendência é o surgimento de assistentes que integrem serviços básicos, como reservas de restaurante e viagens. O executivo cita o exemplo de dispositivos wearables, como o Bee, que ele adquiriu recentemente. O aparelho tem uma função passiva em que escuta o dia e, ao final, produz um resumo com lembretes de compromissos ou tarefas pendentes, aprendendo com os hábitos do usuário ao longo do tempo.

Impacto no consumo e democratização da criação

A onipresença da IA, saindo das telas para navegadores e dispositivos vestíveis, está mudando radicalmente o consumo. Neves exemplifica: em vez de navegar diretamente em um site de e-commerce, ele agora pede ao seu agente para encontrar um produto específico, comparar preços e já colocá-lo no carrinho. “Eu deixei de ter a experiência de navegação no site; foi o agente que influenciou a compra”. Essa mudança deve gerar um embate no curto prazo entre os grandes portais de venda e os agentes automatizados.

Outra tendência forte é a democratização da criação de agentes. Ferramentas low-code ou no-code (como n8n ou soluções do Google) estão permitindo que pessoas sem formação em programação desenvolvam seus próprios agentes para resolver problemas específicos, sejam pessoais ou profissionais. “É uma oportunidade de democratização, onde as pessoas se tornam mais técnicas e capazes de construir suas próprias ferramentas”, conclui Neves.

A entrevista com Adriano Picchi Neves foi concedida em 6 de janeiro de 2026, destacando que a era dos assistentes digitais autônomos não é uma projeção distante, mas uma realidade em construção que promete redefinir a relação das pessoas com a tecnologia e com seu próprio tempo.