Projeto no Congresso quer proibir redes sociais para menores de 16 anos no Brasil
Projeto no Congresso barra redes sociais para menores de 16 anos

Projeto no Congresso propõe restrição a redes sociais para menores de 16 anos

O Brasil inicia um movimento para regulamentar a presença de crianças e adolescentes no ambiente digital, seguindo uma tendência internacional que ganha força em diversos países. O deputado federal Maurício Neves, do Partido Progressista, apresentou um Projeto de Lei que visa proibir o acesso de menores de 16 anos a plataformas de interação social online.

Inspiração australiana e adaptação brasileira

A proposta altera a Lei nº 15.211/2025, conhecida como ECA Digital, que estabelece diretrizes para a proteção de crianças e adolescentes no espaço virtual. O projeto se inspira na legislação australiana, pioneira ao adotar, em dezembro do ano passado, uma norma que proíbe menores de 16 anos de manter contas em redes sociais, atribuindo às plataformas a responsabilidade de barrar o acesso sob risco de multas milionárias.

No entanto, o texto brasileiro apresenta diferenças significativas em relação ao modelo australiano. Ele ainda não prevê multas, sanções financeiras ou penalidades diretas às plataformas que descumprirem a regra, nem define com clareza os mecanismos de fiscalização e verificação de idade. Outro ponto crucial é a exigência de que adolescentes entre 16 e 18 anos só possam utilizar redes sociais por meio de contas vinculadas a responsáveis legais, um aspecto que deve gerar intenso debate jurídico e político durante a tramitação no Congresso Nacional.

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Contexto global e justificativas para a proposta

A iniciativa brasileira se alinha a uma mudança de paradigma na regulação do ambiente digital infantil, observada em várias nações. Na Europa, a Espanha foi o primeiro país a se manifestar oficialmente, anunciando a intenção de seguir um modelo próximo ao australiano. Governos da Europa e dos Estados Unidos também têm discutido ou anunciado medidas semelhantes, refletindo uma crescente preocupação global com os riscos associados à exposição precoce às telas.

Os argumentos para impulsionar o projeto são embasados em dados alarmantes sobre violência online e impactos na saúde mental. Um levantamento realizado pelo governo brasileiro em parceria com a Organização das Nações Unidas aponta que 23% das crianças e adolescentes entrevistados sofreram algum tipo de violência sexual na internet. Já o ChildFund Brasil, organização com seis décadas de atuação no país, estima que 54% dos adolescentes brasileiros já foram vítimas de violência sexual online.

Além disso, há uma pressão social crescente de especialistas, educadores e famílias, preocupados com:

  • Exposição precoce a conteúdos inadequados
  • Uso excessivo das plataformas digitais
  • Impactos negativos na saúde mental dos jovens

Esses fatores ampliam a cobrança por respostas mais firmes do poder público, visando proteger o desenvolvimento saudável das futuras gerações no cenário digital cada vez mais complexo e desafiador.

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