Série do JN na China termina em Shenzhen, polo de robôs humanoides
JN na China: Shenzhen, polo de robôs humanoides

A série especial do Jornal Nacional pela China chegou ao destino final nesta sexta-feira (1º). Os correspondentes Felipe Santana e Lucas Louis apresentaram ao vivo de Shenzhen, cidade que está na vanguarda da criação de robôs.

A viagem passou por Xangai, Hangzhou, Pequim e Cantão, e encerrou em Shenzhen. Antes tomada por campos de arroz e zonas rurais, a região era uma vila de pescadores pobre nos anos 1980, enquanto a vizinha Hong Kong, colônia inglesa, prosperava. Muitos arriscavam a travessia a nado pelo rio Shenzhen em busca de uma vida melhor. Foi então que o presidente Deng Xiaoping escolheu o local como laboratório para testar o capitalismo na China, criando a primeira zona econômica especial em um regime comunista. Quarenta e cinco anos depois, Shenzhen se tornou o Vale do Silício chinês, abrigando megempresas de tecnologia.

Agora, a cidade corre para criar uma nova população: robôs humanoides feitos à imagem e semelhança humana, capazes de ouvir, enxergar e decidir. A questão não é mais se eles nos substituirão, mas quando e em quais situações, e quanto poder lhes daremos.

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Robôs no Festival da Primavera

Os robôs foram a atração principal do Festival da Primavera, que celebra o Ano Novo Chinês e é o programa de TV mais assistido do mundo, com 400 milhões de espectadores. Eles dançaram e lutaram kung fu, mostrando evolução significativa em relação ao modelo apresentado pela mesma empresa nove meses antes.

A população da China encolhe desde 2022 e envelhece, enquanto o país se desenvolve em ritmo acelerado. Os salários mais que dobraram na última década, mas o custo de vida também cresceu.

Produção em massa de humanoides

Perto de Shenzhen, a China inaugurou a primeira linha de produção de humanoides, capaz de fabricar 10 mil unidades por ano – um robô a cada 30 minutos. Um dos primeiros modelos já trabalha em uma montadora de automóveis, movendo peças com precisão. Seus olhos são câmeras, e o torso é móvel, permitindo adaptação a diversas funções.

Atualmente, mais de 140 empresas chinesas constroem robôs humanoides, totalizando 330 versões. Em Cantão, um robô orienta passageiros no metrô; em Pequim, atende em farmácias; outros são treinados para colher maçãs. Um dos maiores desafios é coordenar os movimentos das mãos, mas uma empresa afirma ser a primeira a alcançar coordenação motora fina com humanoides.

Outra fabricante criou uma robô idosa com expressões faciais, com o objetivo de levar robôs para dentro das casas. O maior desafio agora é torná-los baratos o suficiente para convencer os chineses a comprá-los.

Concorrência internacional

Os Estados Unidos são os principais concorrentes, com destaque para o Optimus, do bilionário Elon Musk. Musk promete que um único robô cuidará de tarefas domésticas e trabalhará em fábricas por 20 mil dólares cada, sendo peça fundamental para tornar sua empresa a maior do mundo. Outro robô americano, o Neo, já pode ser comprado pelo mesmo valor para fazer faxina, mas funciona com horário marcado: um funcionário o acessa remotamente para realizar a limpeza – o nascimento da telefaxina.

Esses robôs ainda são como crianças: sozinhos, não sabem fazer as coisas direito. Para treiná-los, o governo chinês criou centros de treinamento de humanoides em várias cidades, onde aprendem com simulações da vida real. De tanto cair, aprendem a pular; de tanto deixar cair um livro, aprendem a colocá-lo na estante.

O show do Festival da Primavera pode ser visto como uma apresentação infantil: os robôs demonstraram equilíbrio, repetição e coordenação, mas no dia a dia ainda cometem muitos erros e dependem de supervisão humana. A maioria é controlada remotamente, como um brinquedo. A corrida é para alcançar o robô verdadeiramente autônomo, que será exportado e coletará informações de empresas ao redor do mundo, alimentando modelos de inteligência artificial e construindo algoritmos de poder.

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