Banqueiro Daniel Vorcaro financiou 92% do filme 'Dark Horse' sobre Bolsonaro
Vorcaro financiou 92% do filme 'Dark Horse' sobre Bolsonaro

O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi o responsável por mais de 90% dos recursos que viabilizaram o filme “Dark Horse”, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A informação foi confirmada por Karina Ferreira da Gama, dona da produtora GoUp, em entrevista exclusiva à Globonews e à TV Globo.

Orçamento e produção

Segundo Karina, o orçamento já executado do filme é de aproximadamente US$ 13 milhões. A obra está em fase de pós-produção, com inclusão de efeitos especiais e sonorização, e ainda necessita de recursos adicionais, embora nada substancial. O senador Flavio Bolsonaro, pré-candidato à presidência pelo PL, já admitiu que Vorcaro investiu pouco mais de US$ 12 milhões no longa-metragem, o que representa cerca de 92% do orçamento atual.

Impacto da prisão de Vorcaro

Karina afirmou que, após a prisão de Vorcaro, todos os envolvidos no filme tiveram que buscar novos investidores para dar continuidade ao projeto. “Quando ele [Vorcaro] foi preso, a gente já estava filmando. Eu tinha folha de pagamento para pagar, já tinha profissionais para pagar. E nenhum deles sentiu o impacto porque todo mundo arregaçou as mangas. ‘Gente, vamos ver onde a gente ajuda, quem pode apoiar’. Nossa vida todo dia era falar com pessoas da iniciativa privada que pudessem apoiar o nosso projeto”, declarou.

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Intermediação de recursos

De acordo com Karina, Vorcaro atuou como intermediador de verba para o longa, e não como investidor direto. Ela explicou que o banqueiro foi procurado por Flávio Bolsonaro em 2024, quando “não havia nenhuma informação contra Vorcaro”. Em entrevistas anteriores, Flávio Bolsonaro citou Vorcaro como investidor e patrocinador do “Dark Horse”, e não como intermediador. Karina afirmou que a GoUp não recebeu recursos diretamente de Vorcaro ou de empresas ligadas a ele. Todos os recursos que chegaram à produtora vieram do fundo Heavengate, sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado Paulo Calixto, aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Investigações da Polícia Federal apontam que a empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro, foi a fonte de recursos para o filme.

Gravações e emendas

Karina disse ainda que todas as cenas de “Dark Horse” foram filmadas no Brasil, com a última gravação ocorrendo em 8 de dezembro de 2025, 21 dias após a primeira prisão de Vorcaro. Além disso, a produtora afirmou que outra empresa sua, a Academia Nacional de Cultura, recebeu R$ 2,4 milhões em emendas PIX para a produção de uma série documental intitulada “Heróis Nacionais - Filhos do Brasil que não se rendem”. A obra contaria a história de figuras como José de Anchieta e Dom Pedro I. As emendas foram enviadas pelos deputados Marcos Pollon (PL-MS), no valor de R$ 1 milhão; Bia Kicis (PL-DF), R$ 150 mil; Alexandre Ramagem (PL-RJ), R$ 500 mil; e Carla Zambelli (PL-SP), R$ 750 mil. Karina afirmou que a série não saiu do papel porque uma das emendas, da então deputada Carla Zambelli, foi bloqueada por decisão do ministro Flávio Dino por não cumprir os requisitos necessários para as emendas PIX. O bloqueio, segundo ela, inviabilizou o projeto. As emendas estão sendo investigadas em uma apuração preliminar aberta na semana passada por Flávio Dino.

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