O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sugeriu, nesta quinta-feira (14), a senadores aliados da Bahia que propusessem uma medida legislativa para vetar o uso de inteligência artificial (IA) nas eleições. A declaração ocorreu um dia após a divulgação de troca de mensagens do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Sem mencionar nominalmente o adversário, pré-candidato à Presidência, Lula afirmou que "a verdade tarda, mas não falha".
Defesa da transparência política
Em evento para entrega de 384 apartamentos do programa Minha Casa, Minha Vida em Camaçari (BA), Lula disse: "Eu confesso a vocês, um cidadão que aprendeu a ter caráter com a Dona Lindu, não aceitará inteligência artificial para fazer campanha política. Se tem uma coisa que um político tem que fazer é olhar no olho do povo e permitir que o povo olhe no olho dele para saber quem está mentindo. E vocês estão vendo na televisão. A verdade tarda, mas não falha".
Críticas ao uso de IA na política
O presidente elogiou a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de proibir o uso de inteligência artificial em propaganda eleitoral três dias antes das eleições. No entanto, sugeriu aos senadores Jaques Wagner (PT) e Otto Alencar (PSD), presentes ao evento, que fosse proposta alguma forma de proibir o uso de IA em todo o processo eleitoral. "Na eleição, será que é necessária IA? Nas eleições, as pessoas têm que votar numa coisa verdadeira, de carne e osso. As pessoas não podem votar numa mentira. [...] Fiquei pensando. O que a gente pode fazer para proibir em época de eleição, sobre a eleição, falar de inteligência artificial na política? Porque isso vai servir aos mentirosos. Porque como é mentira, posso falar tudo bonitão. E a política é o tempo da verdade. O cara que mente na política, deveria cair a língua dele. Porque ele, quando é eleito, foi eleito para representar o povo e não pode mentir", afirmou.
Regras do TSE para IA
Em março, o TSE definiu novas regras para o uso de IA nas campanhas. Entre as medidas adotadas está a proibição de conteúdos eleitorais produzidos por IA 72 horas antes e 24 horas depois de cada turno da votação. A corte também manteve a determinação de que as propagandas devem indicar a existência de conteúdo sintético e informar qual tecnologia foi usada. Outra regra prevê o banimento de perfis falsos, apócrifos ou automatizados quando houver práticas que possam comprometer o processo.
Contexto eleitoral
A cinco meses das eleições, os conteúdos produzidos com inteligência artificial generativa inundam as redes sociais e se consolidam como trincheira da disputa política dentro e fora do aparato oficial das pré-campanhas. Lula reforçou a importância de discutir o tema no âmbito legislativo: "Então, é importante que a gente tenha em conta, Wagner, o que pode ser feito do ponto de vista legislativo para discutir com verdade esse negócio de inteligência artificial, que presta serviços extraordinários à ciência. Mas eu fico me perguntando: como é que você pode votar num candidato pela inteligência artificial?"



