Emergência médica força retorno antecipado da tripulação da ISS à Terra
Tripulação da ISS retorna à Terra por emergência médica

Uma situação inédita marcou a história da Estação Espacial Internacional (ISS) nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026. Quatro tripulantes foram forçados a um retorno antecipado à Terra devido a um problema médico não especificado que afetou um dos membros da equipe. A evacuação, a primeira do tipo desde o início das operações do laboratório orbital, ocorreu de forma segura, com a cápsula Crew Dragon da SpaceX amerissando no oceano Pacífico.

Pouso de emergência no Pacífico

A cápsula Dragon, batizada "Endurance", tocou as águas do oceano Pacífico próximo à costa de San Diego, nos Estados Unidos, às 5h41 no horário de Brasília. A manobra de retorno foi iniciada na noite anterior, quarta-feira, 14 de janeiro, quando a nave se desacoplou da ISS. A bordo, estavam os quatro profissionais que interromperam sua missão de longa duração:

  • Mike Fincke (astronauta da NASA, EUA)
  • Zena Cardman (astronauta da NASA, EUA)
  • Oleg Platonov (cosmonauta da Roscosmos, Rússia)
  • Kimiya Yui (astronauta da JAXA, Japão)

Apesar da natureza emergencial do retorno, todos os quatro tripulantes estavam estáveis durante a reentrada e após o pouso. As autoridades mantiveram sigilo sobre a identidade do profissional afetado e os detalhes precisos de sua condição, prática comum em situações médicas para preservar a privacidade do indivíduo.

Decisão difícil e primeira evacuação

O retorno representa um marco histórico, sendo a primeira evacuação médica realizada a partir da ISS. A missão da equipe, conhecida como Crew-11, havia começado em agosto de 2025 e estava programada para durar aproximadamente seis meses, com o retorno previsto para meados de fevereiro.

James Polk, chefe médico do programa de voos tripulados da NASA, explicou a lógica por trás da decisão difícil. A "dúvida persistente sobre o diagnóstico exato" e a avaliação de risco levaram os gestores da missão a optar pelo retorno antecipado. A intenção era garantir que o tripulante pudesse receber uma avaliação médica completa e recursos diagnósticos disponíveis apenas em terra.

O astronauta Mike Fincke, um veterano com vasta experiência, usou as redes sociais para tranquilizar o público. Ele confirmou que a equipe estava "estável, em segurança e bem assistida" e classificou a decisão como "correta, ainda que com um sabor agridoce", referindo-se à interrupção precoce de seus trabalhos científicos a bordo.

Cooperação internacional e futuro da ISS

O incidente destacou os protocolos de segurança e a cooperação entre as agências espaciais internacionais que operam a ISS. Amit Kshatriya, alto funcionário da NASA, elogiou a preparação da tripulação para lidar com situações médicas imprevistas, um treinamento rigoroso que faz parte do currículo de todos os astronautas.

Enquanto a Crew-11 retornava, três outros tripulantes permaneceram a bordo da estação para manter suas operações contínuas: o americano Chris Williams e os cosmonautas russos Sergey Kud-Sverchkov e Sergey Mikayev, que chegaram em novembro a bordo de uma nave russa Soyuz.

A Estação Espacial Internacional, um símbolo de colaboração global entre EUA, Rússia, Europa e Japão, é habitada ininterruptamente desde o ano 2000. Localizada a cerca de 400 quilômetros de altitude, ela serve como um laboratório vital para pesquisas que preparam a humanidade para a exploração do espaço profundo, incluindo futuras missões à Lua e a Marte. A estação tem sua aposentadoria planejada para após 2030, quando será direcionada para uma reentrada controlada sobre uma área remota do Pacífico conhecida como Ponto Nemo.

O porta-voz da NASA, Rob Navias, reiterou que o tripulante afetado pela condição médica "estava e continua estável", e que todos os procedimentos de segurança foram seguidos com sucesso, garantindo o bem-estar da equipe durante todo o processo de retorno de emergência.