Presidente Prudente registra média de 258 famílias em situação de rua nos últimos 14 anos
Nos últimos 14 anos, o município de Presidente Prudente, no interior de São Paulo, apresentou uma média de 258 famílias em situação de rua, conforme dados oficiais da Secretaria de Avaliação, Gestão da Informação e Cadastro Único (Decau). Em fevereiro deste ano, o número registrado chegou a 298 famílias, mantendo a tendência elevada observada na última década.
Evolução histórica dos registros
De acordo com o painel do Decau, que analisa o período de agosto de 2012 a fevereiro de 2026, o número de famílias em situação de rua começou a crescer significativamente a partir de 2014, quando foram cadastradas 128 famílias no CadÚnico. Em 2013, apenas nove famílias estavam registradas nessa condição. Ao longo dos anos seguintes, houve poucas reduções significativas, com o pico absoluto ocorrendo em fevereiro de 2024, quando 439 famílias foram contabilizadas.
Desde então, a média se estabilizou próximo às 300 famílias, indicando um problema estrutural persistente. O sistema considera como família em situação de rua aquela que, vivendo na extrema pobreza, utiliza logradouros públicos e áreas degradadas como espaço de moradia e sustento, seja de forma temporária ou permanente. A definição também inclui famílias que utilizam unidades de acolhimento para pernoite temporário ou moradia provisória, conforme estabelecido pelo Decreto nº 7.053/2009.
Perfil demográfico das pessoas em situação de rua
Um estudo detalhado revela que, do total de pessoas nessa condição, 83% eram homens (207 pessoas) e 17% mulheres (43 pessoas). Em relação à etnia, 37% se declararam brancos, 34% pardos, 28% pretos e 1% amarelos. A maioria é natural de Presidente Prudente, com 160 pessoas (71% do total), enquanto 29% são oriundas de outros municípios e estados.
A secretária municipal de Assistência Social, Ariane Jacinto, destacou os esforços contínuos da pasta, incluindo abordagens diárias realizadas por equipes especializadas. "As abordagens são constantes, diárias, uma equipe vai até o lugar. Também tem acolhimento para aquelas pessoas em processo de sair das ruas, até que elas encontrem a vida delas e retomem a vida ao normal", afirmou.
Três perfis distintos identificados
Conforme explicou a secretária, os perfis de pessoas em situação de rua se enquadram em três categorias principais:
- Pessoas que estão de passagem pelo município, recebendo apoio temporário da administração;
- Pessoas em situação de rua estabelecida, onde o município atua na sensibilização para saída das ruas;
- Pessoas com problemas de consumo de álcool e drogas, considerado o grupo de atendimento mais complexo.
Campanha da Fraternidade 2026 e direito à moradia
A Campanha da Fraternidade 2026, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tem como tema "Fraternidade e Moradia" e lema "Ele veio morar entre nós". Em sua 62ª edição, a iniciativa propõe uma reflexão profunda sobre a moradia como direito fundamental, à luz da fé cristã e do compromisso com a solidariedade. Através das paróquias e comunidades, a campanha prevê ações como:
- Analisar a realidade da moradia das pessoas mais pobres;
- Identificar como governantes se preocupam com pessoas sem moradia digna;
- Entender por que a moradia é um direito universal e não um privilégio.
Programas habitacionais e situação atual
O secretário municipal de Planejamento, Desenvolvimento Urbano e Habitação, Laércio Batista de Alcântara, relembrou que o sistema de moradias populares foi implementado na cidade em 2009 através do programa Minha Casa Minha Vida Faixa I. "À época, nós construímos quase 4 mil unidades, o que zerou a demanda de pessoas mais idosas, portadoras de necessidades especiais", afirmou.
O programa, destinado a famílias com renda mensal bruta de até R$ 2.850 (urbana) ou renda anual bruta de até R$ 40 mil (rural), exigia Cadastro Único da Assistência Social para participação. Após oito anos de implementação, o programa não foi mais realizado na cidade. Atualmente, a prefeitura está construindo 340 unidades com foco em apartamentos. "A administração anterior fez um volume grande de casas e, agora, a gente está com apartamentos, para priorizar o desenvolvimento de regiões da cidade onde já tem infraestrutura", completou o secretário.
Em 25 de fevereiro, a Prefeitura de Presidente Prudente divulgou estudo elaborado pelo Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop) e Serviço de Abordagem Social, que considerava 250 pessoas em situação de rua na cidade, confirmando a dimensão do desafio que persiste há mais de uma década.



