Ypê suspende reembolso de R$ 2,99 após determinação da Anvisa por contaminação
Ypê suspende reembolso de R$ 2,99 após contaminação

A Química Amparo decidiu suspender o reembolso de R$ 2,99 que estava sendo pago aos consumidores que adquiriram detergentes da marca Ypê do lote final 1, fabricados em sua sede em Amparo (SP). O pagamento era realizado via Pix após o preenchimento de um formulário no site da empresa, sem necessidade de apresentação de nota fiscal ou fotos do lote. A medida foi anunciada nesta sexta-feira (15), após uma reunião com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que determinou a continuidade da suspensão da produção e venda de detergentes, sabão líquido e desinfetantes da marca Ypê.

Determinações da Anvisa e plano de gerenciamento

A Anvisa também exigiu que a empresa apresente um plano de gerenciamento para lidar com todos os lotes de final 1 que já foram distribuídos ao mercado. A agência esclareceu que o reembolso aos consumidores não é de sua competência, apenas recomenda que os produtos sejam guardados e não utilizados. Em entrevista à Folha, o diretor jurídico da Química Amparo, Sergio Pompílio, afirmou que a companhia não diverge das determinações da Anvisa, mas sustentou que o Brasil não possui uma regulação específica para o nível microbiológico em produtos de limpeza. “Não é como em cosméticos e produtos de higiene pessoal, em que a regra [RDC 907/2024] proíbe a presença dessa bactéria [Pseudomonas aeruginosa]. Não existe um limite de bactérias para produtos de limpeza no Brasil”, declarou Pompílio.

Denúncias e contaminação

A Química Amparo foi alvo de duas denúncias da concorrente Unilever, proprietária de marcas como Omo, Comfort, Cif e Brilhante, que apontaram contaminação microbiológica no lava-roupas Tixan Ypê e em detergentes Ypê pela bactéria Pseudomonas aeruginosa, conforme revelado pela Folha. A Anvisa confirmou a contaminação nos produtos e a não conformidade nos processos produtivos do complexo industrial da empresa em Amparo.

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Posição da Anvisa sobre normas de produção

A Anvisa, questionada pela reportagem, confirmou que não há um limite específico para contaminação microbiológica em produtos de limpeza, mas afirmou que, se as boas normas de produção forem seguidas, a contaminação é evitada. “As normas de boas práticas de fabricação (BPF), previstas, por exemplo, na RDC 47/2013, estabelecem o dever técnico da empresa de prevenir contaminação microbiológica”, destacou a agência. “Conforme o artigo 5º da norma, os produtos de limpeza devem ser fabricados para garantir a prevenção de contaminação, higiene industrial, validação de limpeza, qualidade da água, controle de matérias-primas e produto acabado.” A Anvisa não determinou ações de recolhimento dos produtos.

Quarentena e testes dos lotes suspensos

A Ypê informou que pretende realizar testes nos lotes suspensos, fabricados entre 1º de janeiro e 31 de março deste ano, para comprovar que não há inconformidades e liberar novamente a autorização para venda e uso. Os produtos ficarão em quarentena, ou seja, tudo o que foi produzido ou já vendido — incluindo itens em depósitos de varejistas ou na casa dos consumidores — deve ser armazenado separadamente e só poderá ser comercializado ou utilizado após aprovação de laudos técnicos de laboratórios contratados pela Química Amparo e reconhecidos pela Anvisa.

O resultado desses laudos técnicos pode levar até 90 dias para ser apresentado. “São 120 milhões de unidades por mês vendidas apenas de detergente e lava-roupas líquido”, disse Pompílio. “Tudo ficará em quarentena até que um laudo aprove o seu uso e a empresa informe o varejista e o consumidor.” Com isso, a Química Amparo está arcando com um custo médio de R$ 10 milhões por dia. “Como é um prazo muito longo, estamos pensando em contratar laboratórios até fora do Brasil, tendo em vista a grande quantidade de produtos”, afirmou. “Nossa prioridade é garantir a tranquilidade do mercado como um todo, da agência e principalmente dos nossos consumidores.”

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Impacto na força de trabalho e processos produtivos

Com a suspensão da produção e venda das três categorias, a empresa informou que os 3.000 funcionários dessas linhas estão direcionados à adequação do processo produtivo, conforme as determinações da Anvisa. A Química Amparo não detalhou, no entanto, quais processos estão sendo revistos. A Ypê disponibilizou um Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) para tirar dúvidas, pelos telefones 0800-002-6071 (atendimento 24h), 0800-278-0024 (de segunda a domingo, das 9h às 18h) e 0800-130-0544 (de segunda a sexta, das 9h às 17h).

Produtos suspensos

De acordo com a Anvisa, os produtos líquidos do lote que termina com o número 1, fabricados em Amparo, incluem:

  • Lava-louças Ypê Clear Care
  • Lava-louças com enzimas ativas Ypê
  • Lava-louças Ypê Toque Suave
  • Lava-louças Concentrado Ypê Green
  • Lava-louças Ypê Clear
  • Lava-louças Ypê Green
  • Lava-roupas Tixan Ypê Combate Mau Odor
  • Tixan Ypê Cuida das Roupas
  • Lava-roupas Tixan Ypê Antibac
  • Lava-roupas Tixan Ypê Coco e Baunilha
  • Lava-roupas Tixan Ypê Green
  • Lava-roupas Ypê Express
  • Lava-roupas Ypê Power Act
  • Lava-roupas Ypê Premium
  • Lava-roupas Tixan Maciez
  • Lava-roupas Tixan Primavera
  • Desinfetante Bak Ypê
  • Desinfetante de uso geral Atol
  • Desinfetante perfumado Atol
  • Desinfetante Pinho Ypê
  • Lava-roupas Tixan Power Act

Atenção: a medida não inclui lava-roupas e louças em pó.

Como saber se seu produto está na lista?

O consumidor deve verificar o número do lote na embalagem. Se o código terminar em 1, o item está incluído na determinação da Anvisa e o produto não deve ser utilizado. O número do lote costuma estar carimbado com a letra L (referente a lote).