SUS incorpora teste genético de alta precisão para câncer de mama hereditário
SUS terá teste genético para câncer de mama hereditário

Mulheres com câncer de mama atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) terão acesso a um teste genético de alta precisão capaz de identificar mutações hereditárias ligadas à doença. A decisão foi publicada nesta quarta-feira (13) no Diário Oficial da União, por meio de portaria da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde.

O que é o novo teste?

A tecnologia incorporada é o sequenciamento de nova geração (NGS), utilizado para detectar alterações nos genes BRCA1 e BRCA2 — mutações associadas a um risco elevado de câncer de mama e ovário. O exame permite descobrir se o tumor tem origem hereditária, informação que pode mudar tanto o tratamento da paciente quanto a estratégia de prevenção para familiares que ainda não desenvolveram câncer.

Segundo a portaria, o SUS terá até 180 dias para começar a ofertar o teste na rede pública. A decisão representa um avanço na chamada medicina de precisão — modelo em que o tratamento é definido com base nas características genéticas do tumor e do paciente. Até hoje, esse tipo de exame estava concentrado principalmente na rede privada, onde pode custar milhares de reais.

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De acordo com a publicação, o teste será usado especificamente para “identificação de mutação nos genes BRCA1/2 em mulheres com câncer de mama”.

O que muda para as pacientes

Mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 estão entre as alterações hereditárias mais conhecidas ligadas ao câncer de mama. Mulheres portadoras dessas variantes têm risco significativamente maior de desenvolver a doença ao longo da vida. Além do impacto no risco futuro, a descoberta da mutação também interfere diretamente no tratamento do câncer já diagnosticado.

Pacientes com alterações nos genes BRCA, por exemplo, podem se tornar elegíveis para medicamentos chamados inibidores de PARP — terapias-alvo desenvolvidas justamente para tumores com esse perfil genético. Sem o teste, essa possibilidade pode passar despercebida. A informação genética também pode orientar decisões sobre cirurgias preventivas e protocolos de rastreamento mais intensivos.

O impacto para a família

O resultado do exame não afeta apenas a paciente diagnosticada. Como as mutações podem ser herdadas, a identificação de uma alteração genética pode levar familiares a descobrirem que também carregam o risco — antes mesmo do aparecimento de qualquer tumor.

Em reportagem publicada pelo g1 nesta terça-feira (12), o maior estudo genômico do câncer já realizado no Brasil mostrou que 1 em cada 10 pacientes analisados carregava uma mutação hereditária ligada ao câncer. Entre os familiares que aceitaram fazer o teste, quase 40% também tinham a mesma alteração genética, mesmo sem diagnóstico da doença.

Segundo o estudo, identificar essas mutações antes do surgimento do câncer permite adotar estratégias preventivas, como ressonância magnética anual, colonoscopias mais precoces e, em alguns casos, cirurgias profiláticas.

Tecnologia ainda é limitada no SUS

Embora a incorporação represente um avanço, especialistas apontam que a estrutura de oncogenética no SUS ainda é concentrada em poucos centros especializados. A própria pesquisa do Mapa Genoma Brasil, coordenada pelo Hospital BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, apontou que o país possui menos de 500 geneticistas clínicos para uma população de mais de 200 milhões de habitantes. O estudo também destacou que muitos hospitais públicos ainda não dispõem de equipes treinadas nem de fluxo estruturado para aconselhamento genético e acompanhamento familiar.

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