SUS incorpora terapia tripla inédita para DPOC com foco em diagnóstico precoce
SUS oferece nova bombinha tripla para doença pulmonar crônica

SUS revoluciona tratamento de doença pulmonar com terapia tripla gratuita

O Sistema Único de Saúde iniciou a distribuição de um tratamento inovador contra doenças pulmonares crônicas, marcando um avanço significativo na assistência respiratória no Brasil. A nova abordagem combina maior eficácia com simplicidade de uso, prometendo transformar a vida de milhões de pacientes.

Diagnóstico precoce: o grande desafio da DPOC

Um simples exame que avalia a saúde pulmonar revelou problemas respiratórios em Áurea Cury, funcionária pública aposentada. "Desde os 15 anos eu fumava e aí comecei a sentir, né, um pouco de cansaço", relata a paciente. Esse cansaço progressivo entre ex-fumantes tem nome científico: Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, conhecida popularmente como DPOC.

Segundo a pneumologista Helen Coutinho, a condição representa uma inflamação persistente que dificulta a respiração e se agrava com o tempo. "É uma doença muito subdiagnosticada. No Brasil, mais de 70% dos pacientes convivem com a DPOC sem diagnóstico estabelecido", alerta a especialista. "Esses casos chegam aos consultórios com prognóstico desfavorável, pois iniciamos terapia quando a doença já evoluiu consideravelmente".

Números alarmantes e nova estratégia nacional

O Ministério da Saúde publicou diretrizes atualizadas para enfrentar o crescente número de casos graves, hospitalizações e óbitos relacionados à DPOC. Em 2024, o SUS registrou impressionantes 22 milhões de atendimentos por essa condição – oito vezes mais que em 2015, quando começou o monitoramento sistemático.

As novas regras buscam ampliar a realização de testes diagnósticos e identificar pacientes em estágios iniciais. Dessa forma, o tratamento pode ser iniciado antes que a doença cause danos irreversíveis à função pulmonar.

Inovação terapêutica: a bombinha tripla

O protocolo incorpora a distribuição gratuita de um dispositivo inédito que combina três medicamentos em uma única bombinha. Roberto Stirbulov, médico da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, explica: "Hoje representa o que há de mais moderno para o tratamento da DPOC. É a chamada terapia tripla, e o SUS acaba de incorporar essa combinação em um mesmo dispositivo".

Mozart Salles, secretário de Atenção Especial do Ministério da Saúde, destaca as vantagens práticas: "É mais fácil de usar e, consequentemente, mais eficaz. Consegue controlar a doença porque impede seu progresso de maneira significativa. Estamos otimistas que este novo protocolo gerará adesão expressiva".

Tratamento vitalício e mudança de hábitos

A terapia é permanente, mas seu sucesso depende fundamentalmente da interrupção do tabagismo. Áurea Cury compartilha sua experiência familiar: "Meu pai teve enfisema pulmonar e morreu dessa condição. Ele não conseguiu parar de fumar, mas eu, graças a Deus, consegui". Seu depoimento ilustra a importância crucial da combinação entre tratamento medicamentoso e mudança comportamental.

Esta iniciativa do SUS representa um marco na saúde pública brasileira, oferecendo tecnologia de ponta gratuitamente enquanto fortalece estratégias de diagnóstico precoce para uma doença que afeta principalmente ex-fumantes e idosos.