FGC inicia pagamento de R$ 40,6 bi a 800 mil credores do Banco Master
FGC inicia pagamentos a credores do Banco Master

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciou oficialmente, neste sábado, 17 de janeiro de 2026, o processo de ressarcimento aos investidores que tinham aplicações em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master. A ação marca o início da devolução de valores após a liquidação extrajudicial do grupo financeiro, decretada dois meses atrás.

Como solicitar o ressarcimento do FGC

O procedimento para receber o dinheiro garantido pelo fundo varia conforme o tipo de investidor. Pessoas físicas devem realizar a solicitação exclusivamente por meio do aplicativo oficial do FGC, disponível para smartphones. Já no caso de pessoas jurídicas, o processo precisa ser feito diretamente no site da entidade.

Daniel Lima, diretor-presidente do FGC, explicou a dinâmica: "A partir deste momento os credores já podem dar continuidade ao processo de solicitação da garantia utilizando o aplicativo do FGC. Concluída esta fase, o credor receberá o pagamento em até dois dias úteis, em uma conta de sua titularidade".

Números revisados: menos credores, valor bilionário mantido

Os dados finais divulgados pelo FGC mostram um ajuste significativo em relação às estimativas iniciais. O número de credores que terão direito à garantia foi revisado para 800 mil, uma redução considerável frente à previsão anterior de 1,6 milhão.

Por outro lado, o montante total a ser desembolsado permanece na casa dos bilhões. O valor atualizado é de R$ 40,6 bilhões, ligeiramente abaixo da estimativa inicial de R$ 41,3 bilhões, mas ainda representando um dos maiores pagamentos da história do fundo garantidor.

Investigacao do STF revela rombo ainda maior

Paralelamente ao processo de pagamento, as investigações sobre o caso avançam no Supremo Tribunal Federal (STF). Na sexta-feira, 16 de janeiro, o ministro Dias Toffoli atendeu a um pedido da Polícia Federal e prorrogou por mais sessenta dias o inquérito que apura a fraude do Banco Master e o envolvimento de seu proprietário, o banqueiro Daniel Vorcaro.

A decisão estende as investigações pelo menos até março, quando o ministro reavaliará as conclusões da PF. A prorrogação pode ser renovada outras vezes, se necessário.

Segundo apurou a coluna Radar, junto a interlocutores da investigação no STF, o rombo financeiro causado pelo esquema comandado por Vorcaro, de acordo com a Polícia Federal, é assustadoramente maior do que o valor coberto pelo FGC. As estimativas apontam para um prejuízo total que pode chegar a R$ 50 bilhões.

Os investigadores já identificaram que o esquema fraudulento do Master se utilizava de empresas de fachada e de laranjas para operar e ocultar as movimentações bilionárias que lesionaram o sistema financeiro.

O início dos pagamentos pelo FGC é um alívio para centenas de milhares de investidores, mas o capítulo judicial e de apuração dos crimes que levaram à liquidação do banco ainda está longe do fim, com a perspectiva de novas revelações sobre a extensão total do prejuízo nos próximos meses.