OMS declara emergência internacional por Ebola com cepa rara no Congo e Uganda
OMS declara emergência internacional por Ebola raro

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou no sábado, 16, que o surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda passou a ser tratado como uma “emergência de saúde pública de importância internacional”. O alerta foi emitido após a confirmação de casos ligados ao vírus Bundibugyo, uma cepa rara do Ebola para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos específicos aprovados.

Até o sábado, a RDC contabilizava oito casos confirmados laboratorialmente, 246 casos suspeitos e ao menos 80 mortes suspeitas na província de Ituri, no nordeste do país, região de fronteira com Uganda. Os registros foram identificados em pelo menos três zonas de saúde: Bunia, Rwampara e Mongbwalu. Em Uganda, dois casos confirmados foram registrados na capital Kampala, incluindo uma morte. De acordo com a OMS, os pacientes haviam viajado da RDC para Uganda antes do diagnóstico. Já nesta segunda-feira, 18, um laboratório confirmou o primeiro caso da doença na cidade de Goma.

Apesar do alerta, a OMS afirmou que o cenário ainda não atende aos critérios de “emergência pandêmica”. Ainda assim, a entidade demonstrou preocupação com o potencial de disseminação regional, as incertezas sobre o tamanho real do surto e a ausência de imunizantes específicos contra a cepa Bundibugyo. “O evento exige coordenação e cooperação internacional para compreender a extensão do surto, ampliar a vigilância e fortalecer as medidas de resposta”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Um Comitê de Emergência deve ser convocado nos próximos dias para discutir recomendações aos países-membros.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O que é o Ebola?

O Ebola é uma doença viral grave, conhecida por causar febre hemorrágica e altas taxas de mortalidade. O vírus foi identificado pela primeira vez em 1976, em surtos simultâneos no Sudão e na atual República Democrática do Congo, próximo ao rio Ebola, que deu nome à doença. A transmissão ocorre por contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas infectadas ou de animais contaminados, como morcegos frugívoros e primatas. O vírus também pode se espalhar em ambientes hospitalares quando não há medidas adequadas de proteção.

Os sintomas costumam começar de forma inespecífica, com febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, fadiga e dor de garganta. Em muitos casos, a doença evolui rapidamente para vômitos, diarreia, lesões hepáticas e renais e, nas formas mais graves, hemorragias internas e externas.

Cepa Bundibugyo: rara e sem vacina

A cepa identificada neste surto, chamada Bundibugyo, é considerada rara. Ela foi detectada pela primeira vez em Uganda, em 2007, e responde por uma parcela menor dos surtos registrados até hoje. Diferentemente da cepa Zaire, responsável por epidemias históricas e para a qual já existem vacinas aprovadas, o vírus Bundibugyo ainda não conta com imunizantes ou terapias específicas. Atualmente, o tratamento é baseado principalmente em suporte clínico intensivo, incluindo hidratação, controle da pressão arterial, reposição de eletrólitos e manejo de complicações. Quanto mais cedo o paciente recebe cuidados médicos, maiores as chances de sobrevivência.

A OMS também alertou para fatores que podem dificultar o controle do atual surto, como circulação intensa de pessoas entre fronteiras, a presença de áreas urbanas afetadas e a fragilidade dos sistemas locais de saúde. Além disso, a entidade informou que ao menos quatro profissionais de saúde morreram com sintomas compatíveis com febre hemorrágica viral, o que levanta preocupação sobre possíveis falhas nas medidas de prevenção dentro das unidades de atendimento.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar